Coisas cada adolescente deve fazer

Não é nenhum segredo que os casais podem fazer muitas coisas muito estranhas juntos. No entanto, há também uma série de coisas que cada casal deve fazer juntos – e sim, algumas delas ainda são estranhas. Quer saber o que são essas coisas estranhas? Boas notícias: pessoas de todo o mundo ficam felizes em compartilhar ideias com você. A internet não […] Coisa De Adolescente Verdades Capa Colagem De Foto Na Parede Imprimir Imagens Fotos Legais Coisas Para Fazer Cartazes Para Dormitório Anjos Negros 13 Unique Things To Do in Denver This Weekend From mermaids to zombies and everything in between there is a lot happening this weekend. Para isso, foi elaborada uma lista com 50 coisas que toda criança deve fazer antes de completar 12 anos, ou seja, antes de virar um adolescente. Abaixo, segue a tradução da lista. Tomei a liberdade de adaptar algumas poucas sugestões para a realidade brasileira. Você deve ensiná-los como escrever um cheque, fazer um depósito, entre outros aspectos financeiros. 3. Cozinhar as refeições do dia. Ainda que seja simples preparar um sanduíche, seu filho deve saber como se virar na cozinha. Quando seu filho está no ensino médio, ele deve saber como cuidar de si mesmo. 10 coisas que todo adolescentes deve sabe Fui adolescente há pouco tempo atrás. Lembro-me que vivia cheio de dúvidas acerca das transformações do meu corpo. Fazer uma viagem de formatura. Provavelmente um ciclo está próximo de ser concluído e seu esforço deve sim ser celebrado. Aproveite a formatura para viajar com seus amigos, relembrar tudo aquilo que passaram juntos durante os anos de escola. Isso tudo é muito valioso e deve ser sempre lembrado e preservado, para o resto da vida. Ser um casal nem sempre é um mar de rosas. A rotina do dia a dia nem sempre permite que uma relação seja feliz e inventiva a cada ano que passa. Ou seja, o relacionamento por si só não ... Como Fazer Dinheiro (para Adolescentes). O mercado de trabalho pode ser um lugar difícil para adolescentes, mas, com criatividade e resiliência, você pode encontrar várias formas de fazer dinheiro. Além de considerar trabalhar para seu... Percebem cada vez melhor que é importante ser positivo e falar das coisas e querer agir, e que os adolescentes são um diamante em bruto: têm muito de bom, só temos de ajudá-los a trabalhar ...

Segunda chance ok, agora terceira, quarta e quinta ...

2020.09.18 02:40 iamassuregi Segunda chance ok, agora terceira, quarta e quinta ...

Preciso tirar isso do peito kkkkk então isso é longo
Eu conheço uma garota desde a sétima série, hoje tenho 24 anos. Essa garota por muito tempo foi minha amiga, mas sempre meio com vergonha. Kkkk eu não tinha uma boa aparência na época (e em minha defesa todo adolescente é feio) e hoje, olhando para trás, sinto que ela tinha vergonha de mim.
Em 2017 ela me apresentou a um amigo dela. Muito estranho, o cara tinha uns 40 anos e era amigo de uma moça de 21... Um dia fui dormir na casa dela, na época levei o PlayStation e ficamos jogando. Uma das irmãs, que tinha 15 anos aparece, totalmente bêbada. E esse coroa trazendo essa menina. Eu fiquei indignada, pois ela estava muito bêbada mesmo, até vomitou e desmaiou. Eu fechei a cara quando vi isso tudo e só pensava em chamar uma ambulância ou a polícia. Lembro que ele falou algo como: "Ela estava na minha casa com a minha filha, tomou só um pouco" e eu retruquei: "Ela tem quinze anos. Não devia ter tomado nada".
Esse foi o meu primeiro erro. O cara pegou raiva de mim aí.
Enfim, noutro dia fui pra minha casa e segui a minha vida.
Na época da escola éramos um trio: eu, essa garota e outro amigo. Esse moleque não era amigo dela há um tempo.
Outra visita a casa dela e ela me pergunta dele. Eu falo a verdade, que disse que nunca mais queria falar com ela. Tinha morrido pra ele. Volto pra minha casa e quanto estou deitada já, vejo uma ligação. Era o coroa me ligando.
Ele gritou comigo, disse que se fosse para eu falar desse amigo que eu não pisasse mais o pé na casa dela. Queria saber o que ela tinha feito pra ele, e eu apenas respondia: pergunta pra ela!
No dia fiquei morrendo de medo. Depois chorei de raiva. Mandei uma mensagem pra ela, dizendo que precisávamos conversar. No outro dia ela me respondeu, dizendo que iria falar com ele. Depois veio com uma conversa que não podia escolher lado pois não tinha ouvido a ligação para dizer o que cada um disse.
Depois disso me afastei, me ocupei com trabalho. Respondia ela pouco. Meu erro também, devia ter bloqueado nessa época. Também comecei a me arrumar bastante, me cuidar mesmo e a ter encontros kkk (e sim, agora sou bonita)
Ela me chamava para ir na casa dela sempre e dizia: leva o videogame, não tem nada aqui para fazer. Ela mora noutro bairro, muito contramão pra ônibus, então eu andava meia hora com um PS4 mochila, chegava lá morrendo. Eu acabava dormindo lá pois sempre ficava tarde pra voltar. Um dia eu falei pra ela que tava muito zoado para ir, pois estava tendo assalto direto e eu não poderia dormir pois tinha compromisso. Ela disse: então deixa o vídeo game aqui. Depois você busca.
Aí sim eu descobri, ela só queria jogar.
Então fui me afastando, até que ela surgiu meses depois fazendo perguntas sobre esse maldito videogame. Eu não entendo muito, tinha comprado ele no fim de 2016 pois foi uma baita promoção e eu usaria para ver vídeos do YouTube e alguns jogos que eu tinha visto gameplay. Mas por causa do trabalho quem usava mais era a minha família, para assistir. Então eu realmente não sabia responder nada. Foi uma semana de questionamentos até ela me pedir a minha conta da PSN. O coroa tinha dado um videogame para ela. Meu sangue ferveu, e eu disse que não. Ela veio com uma conversinha do tipo: "você não confia em mim?" Eu apenas disse: "sei que você não vai pegar nenhuma informação minha, mas não empresto pra você. Meses sem falar comigo e quando volta quer favores?".
Ela sumiu por três dias e quando voltou disse que não poderíamos mais ser amigas. E começou a escrever um textão. Eu simplesmente dei block e deletei o número. Isso foi no fim de 2018.
Nessa época eu estava meio mal, mudei para um emprego de meio período e fui passando sem comprar muita coisa. Vendi o videogame e resolvi estudar para entrar numa universidade. A situação financeira aqui em casa apertou tanto que eu praticamente sustentei a casa por uns meses com um salário de meio período. Deixei muito currículo mas nem chamavam... Enfim.
No fim de fevereiro desse ano entrei no meu Facebook e tinha várias mensagens dela, das irmãs, pedido para eu mandar mensagem pra ela. Eu sou muito curiosa, então não aguentei. Passei o meu número para a irmã e disse que entrar em contato comigo. Ela falou comigo e pediu desculpas.
E eu aceitei, pois estava numa paz e estava tentando mudar, ver o melhor nas pessoas. Estava muito de boas mesmo.
Ela veio perguntar da minha vida, eu disse que estava estudando e trabalhava algumas horinhas por semana.
Aí ela me pediu uma dicas para estudar pra FUVEST/Enem e acabamos combinando que eu poderia ajudar ela a estudar.
Desde 2019 eu estava muito calma, não me irritava com ninguém e também toda semana tirava um momento pra refletir os pontos da minha personalidade que tinha que melhorar. Mas eu fiz um grande erro: ser gentil não é ser otária. E eu estava sendo uma otária.
Acabou que o corona apareceu e bagunçou a vida de todo mundo, mas continuamos nos falando. Ela comentava lugares que queria ir e eu dizia "ah, depois do corona a gente vai". Acabou que a primeira oportunidade foi esses dias, quando sp começou a permitir que cursos extracurriculares voltassem. Decidi que iria fazer um curso de japonês, pois estava meio deprimida e queria algo para ocupar a cabeça. Chamei ela para dar uma olhada comigo na unidade da escola.
Eu já tinha comentado com ela que estava ficando bem ocupada recentemente, então podia ser que eu esquecesse de ver as mensagens. Falei pra ela que sábado ficaria fazendo um trabalho. Então sábado de manhã fomos ao curso de japonês e quando voltamos ela se convidou para ir na minha casa. Eu, por causa de estar ocupada e cansada, não queria ninguém aqui, então só disse que outro dia a gente marcava.
Depois disso ela nunca mais de respondeu. Ela tinha parado de falar com o coroa quando voltou a falar comigo, mas deve ter voltado.
Essa novela é tão grande e ruim que vou acrescentar uns detalhes aqui:
O que eu aprendi de tudo isso? Não fique perto de quem faz mal pra você. Seja gentil, mas não seja besta.
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2020.08.14 19:46 InfamousPangolin3996 postando dnv pq acho q bugou... O DIA EM QUE MAGOEI DUAS PESSOAS E FUI PEGO POR UMA MEGA REVELÇÃO kekek

Bom, caros leitores deste reddit maravilhoso, essa historia pode ser um famoso caso de "am i the asholle?" porem acho que não, então vamos la a historia... A, e oi luba, editores e gatas maravilhosas e fofinhas.
Bom, meu nome é Carls, a dois anos atrás, eu e um carinha estávamos combinando de sair pelo zap né, algo bem normal diga-se de passagem, porem, eu era adolescente ainda e dizia coisas como: "a te amo", "gosto muito de você" etc e etc. Nós combinamos que iriamos sair para ver um filme daqui a uns 7 dias, pois ambos estávamos em época de prova na escola(cada um em escola diferente). Porem, entre o meio tempo dos 7 dias, ele me fez uma raivinha e eu fiquei puto com ele, e não falei mais com ele pelo resto do dia, umas duas horas depois resolvi contar para segunda pessoa que eu era bi, (ja que a primeira pessoa que falei foi para o outro garoto) era meu amigo de infância que era gay e ele já sabia mais sobre o assunto e eu queria algumas dicas, porem ele começou a dar em cima de mim, eu confuso e sem saber oq fazer dei em cima dele tbm, (ele era de outro estado, detalhe importante) porem eu dei em cima dele sem muitas esperanças pois não morava no meu estado. Ele disse pra mim que na proxima semana viria a minha cidade e eu fiquei "ops!" porem queria marcar cmg de ir pro cinema na segunda, ele viria para minha cidade numa sexta e na segunda nos sairíamos. Então caros leitores eu aceitei, ir nos dois cinemas, eu fiquei despreocupado pois iria com o outro garoto no cinema no sabado, você ja deve imaginar oque iria acontecer, fui no cinema no sabado com o garoto lá, pois ja tinhamos nos resolvido e não estava mais com raiva dele, no meio do filme estavamos tão tensos e nervosos e so nos demos as mãos, porem nada de beijo. Quando saímos do filme andamos de mãos dadas, depois do ocorrido eu ja estava pensando em cancelar com o garoto de outro estado, porem só iria fazer isso quando chegasse em casa, quando fomos a praça de alimentação sentamos e pedimos, antes de chegar nosso pedido eu estava encorajado pra dar um selinho nele, e então fiz isso, dei um selinho nele, e quando sai do selinho, percebo alguem familiar a esquerda da nossa mesa, era o garoto de outro estado, quando ele viu tudo eu olhei pra ele e ele saiu correndo, então eu saí correndo atras dele pra tentar explicar alguma coisa, la sei vey fiquei tenso, e quando eu saí correndo me lembrei que deixei o outro garoto na mesa sem entender nada, "eu volto pra mesa?", "continuo atras do outro cara?", eu paralisei, depois disso me sentei num banco e liguei pra minha mãe ir me buscar no shopping, eu me senti um cara horrivel pra krl, pq ate então o garoto de outro estado so veio a minha cidade pra nos ficarmos, e eu estraguei tudo vey, quando eu estava saindo do shopping vi no canto, o garoto do outro estado e o que eu fui no cinema, conversando, eu não tive coragem na hora de ir pedir desculpa pra ambos. Duas semana depois eu vi no inta de cada um dizendo que eles estavam em um relacionamento serio, "<3 lars e farls" , "<3 fars e lars", eu fiquei ate q surpreso, eles estão juntos ate hoje, e o cara que era de outro estado disse obrigado a mim que aquela tristeza trouxe a ele o seu melhor relacionamento ate damo momento, infelismente não tenho mais o print, pois ele me disse isso em setembro do ano passado. Obrigado por ler minha historia, espero q apareça no video, mas se não aparece pelo menos fico feliz se falarem se eu fui babaca ou não.
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2020.08.14 19:40 InfamousPangolin3996 Bom... Tem q ter título né, ok... O DIA EM QUE EU MAGOEI DUAS PESSOAS E DEPOIS ME SURPREENDI COM AMBAS!

Bom, caros leitores deste reddit maravilhoso, essa historia pode ser um famoso caso de "am i the asholle?" porem acho que não, então vamos la a historia... A, e oi luba, editores e gatas maravilhosas e fofinhas.
Bom, meu nome é Carls, a dois anos atrás, eu e um carinha estávamos combinando de sair pelo zap né, algo bem normal diga-se de passagem, porem, eu era adolescente ainda e dizia coisas como: "a te amo", "gosto muito de você" etc e etc. Nós combinamos que iriamos sair para ver um filme daqui a uns 7 dias, pois ambos estávamos em época de prova na escola(cada um em escola diferente). Porem, entre o meio tempo dos 7 dias, ele me fez uma raivinha e eu fiquei puto com ele, e não falei mais com ele pelo resto do dia, umas duas horas depois resolvi contar para segunda pessoa que eu era bi, (ja que a primeira pessoa que falei foi para o outro garoto) era meu amigo de infância que era gay e ele já sabia mais sobre o assunto e eu queria algumas dicas, porem ele começou a dar em cima de mim, eu confuso e sem saber oq fazer dei em cima dele tbm, (ele era de outro estado, detalhe importante) porem eu dei em cima dele sem muitas esperanças pois não morava no meu estado. Ele disse pra mim que na proxima semana viria a minha cidade e eu fiquei "ops!" porem queria marcar cmg de ir pro cinema na segunda, ele viria para minha cidade numa sexta e na segunda nos sairíamos. Então caros leitores eu aceitei, ir nos dois cinemas, eu fiquei despreocupado pois iria com o outro garoto no cinema no sabado, você ja deve imaginar oque iria acontecer, fui no cinema no sabado com o garoto lá, pois ja tinhamos nos resolvido e não estava mais com raiva dele, no meio do filme estavamos tão tensos e nervosos e so nos demos as mãos, porem nada de beijo. Quando saímos do filme andamos de mãos dadas, depois do ocorrido eu ja estava pensando em cancelar com o garoto de outro estado, porem só iria fazer isso quando chegasse em casa, quando fomos a praça de alimentação sentamos e pedimos, antes de chegar nosso pedido eu estava encorajado pra dar um selinho nele, e então fiz isso, dei um selinho nele, e quando sai do selinho, percebo alguem familiar a esquerda da nossa mesa, era o garoto de outro estado, quando ele viu tudo eu olhei pra ele e ele saiu correndo, então eu saí correndo atras dele pra tentar explicar alguma coisa, la sei vey fiquei tenso, e quando eu saí correndo me lembrei que deixei o outro garoto na mesa sem entender nada, "eu volto pra mesa?", "continuo atras do outro cara?", eu paralisei, depois disso me sentei num banco e liguei pra minha mãe ir me buscar no shopping, eu me senti um cara horrivel pra krl, pq ate então o garoto de outro estado so veio a minha cidade pra nos ficarmos, e eu estraguei tudo vey, quando eu estava saindo do shopping vi no canto, o garoto do outro estado e o que eu fui no cinema, conversando, eu não tive coragem na hora de ir pedir desculpa pra ambos. Duas semana depois eu vi no inta de cada um dizendo que eles estavam em um relacionamento serio, "<3 lars e farls" , "<3 fars e lars", eu fiquei ate q surpreso, eles estão juntos ate hoje, e o cara que era de outro estado disse obrigado a mim que aquela tristeza trouxe a ele o seu melhor relacionamento ate damo momento, infelismente não tenho mais o print, pois ele me disse isso em setembro do ano passado. Obrigado por ler minha historia, espero q apareça no video, mas se não aparece pelo menos fico feliz se falarem se eu fui babaca ou não.
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2020.07.16 16:48 0TW9MJLXIQ Texto de Kampz no SerBenfiquista

Vou ser absolutamente sincero, estou completamente esgotado do Benfica...
Podem dizer que isto não é o Benfica, que é o SLV, mas a verdade é que o meu dinheiro vai para esta instituição e os atletas que a representam "jogam" em nome do Sport Lisboa e Benfica com o manto sagrado e o nosso emblema, o tal que não serve para chineses ao peito.
Se isto não é o Benfica é culpa nossa - dos sócios - que deixaram o clube ser tomado de assalto por um cavalo de troia, carregado até ao tecto de dragartos e mercenários, e que não era feito de madeira mas sim totalmente transparente.
Mais, é culpa nossa irmos para 17 anos disto e nunca termos feito nada relevante para mudar, encolhendo os ombros e deixando passar pelos pingos da chuva, como se nada fosse, uma notícia de (mais) um desfalque ao clube no valor de 2 milhões de €.
Ao contrário do que já fiz no passado, não tenho paciência para ir procurar e trabalhar dados, pelo que cito o excelente post acima, resumindo do seguida em que se tornou o nosso clube:
Certamente me esqueci de muito e em muitos pontos tanto mais poderia ser dito... Mas é o meu desabafo. E que se desengane quem ache que é pelo título do Porto, na verdade só agora fui à internet confirmá-lo!
O problema do Benfica não se resolve com JJ ou 100M€ em transferências, ou com a saída de algumas peças da estrutura. Tem que sair o Presidente e toda a corja responsável, ou que legitima, uma gestão absolutamente danosa e corrupta, com dano muito material no clube.
A única solução para isto é:
1.1) Garantir que as eleições não são marteladas (muito difícil); 1.2) Se tal não for possível, correr com o Vieira nem que seja ao pontapé; 2) Fazer uma auditoria forense fortíssima ao clube, custe o que custar; 3) Com base nas evidências, colocar em tribunal todos aqueles que tiverem lesado o clube; 4) Também com base em evidências, despedir com justa causa quem for necessário; 5) Negociar a saída de todos os restantes mercenários que nada acrescentem; 6) Encostar o "lixo" que não conseguirmos limpar nos dois pontos anteriores; 7) Contratar Benfiquistas competentes e sérios para os cargos relevantes; 8) Implementar mecanismos de controlo interno que impeçam a pilhagem do clube; 9) Garantir uma gestão financeira responsável e equilibrada do clube, por profissionais de topo; 10) Implementar uma gestão desportiva profissional e ambiciosa, em todas as modalidades; 11) Investir no fortalecimento dos laços perdidos entre Benfiquistas e Benfica; 12) Rever os estatutos (e.g. limitação de mandatos) de forma a restabelecer a democracia.
Reparem que o desporto - o core business e objetivo fundamental - só aparece no ponto 10! É que há tanto a fazer de limpeza antes para garantir que conseguimos repor o que nos foi roubado e ter um clube (e SAD) preparados para gerir o Benfica como deve ser...
Se não é em Outubro, para mim, acabou.
E mesmo para os vieiristas, acabará pouco depois.
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2020.07.06 00:45 dukaymon Ou os dois são loucos ou nenhum é.

Dia 1: Mário pega no carro e foge, saindo do concelho.
Dia 2 a dia 10: após abandonar o carro num parque de estacionamento a 230 km de casa, Mário esconde-se num pinhal e aí fica até acabaram as poucas latas de comida que trazia na mochila.
Dia 11 a dia 33: alimentado-se de frutas e vegetais que vai roubando de campos agrícolas e sem nunca ficar no mesmo sítio mais do que um dia, Mário encontra-se já a 300 km de casa, perto da fronteira.
Dia 33 a dia 77: sem se atrever a aproximar-se da civilização, por medo que o reconheçam (e não só), no meio do mato Mário encontra refúgio num casebre abandonado, envolto em silvas e arbustos, que funcionam como camuflagem, impedindo que mesmo o transeunte mais atento pudesse vislumbrar o edifício aí escondido. Na praia deserta que fica a 500 metros do local, Mário obtém o alimento que precisa e bebe a água da chuva que se acumula num pequeno tanque decrépito atrás do casebre.
Dia 78: Mário tenta pôr fim a tudo.

"Desculpem-me o mal que vos causei", lia-se na carta, "mas quero que saibam que, tal como rio rebenta o dique e inunda os campos em seu redor, se vocês sofrem por minha culpa, é porque não consegui conter em mim tanto sofrimento."
Dobrou a folha ao meio e deixou-a sobre um banco. Uma lágrima tinha esborratado o texto, deixando uma das palavras totalmente ilegível e, de forma parcial, a palavra que lhe antecedia e a palavra seguinte, mas ele nem reparou. Também não interessava, provavelmente ninguém iria descobrir aquela carta.
Levantou-se, saiu do casebre e caminhou nervosamente até à arriba de onde decidira que haveria de ser conduzido pela gravidade até ao abismo álgido e salgado que o tinha vindo a seduzir sempre um pouco mais de cada vez que o contemplara.
Era um dia ventoso e borralhento, mais ventoso ainda à beira mar, no cimo da falésia. Lá em baixo o mar castigava as rochas impassíveis que outrora haviam estado cobertas por um amplo lençol de areia.
Mário olha para baixo e murmura sofridamente:
-Como é possível que isto já tenha sido uma praia, e eu tenha sido tão feliz nela!
E não contém as lágrimas quando à mente lhe vêm as imagens dos longos e soalheiros dias de verão passados naquele lugar com os amigos, na adolescência.
Vinte anos separavam essas memórias do presente, vinte anos que, a bem dizer, pareciam cem ou mesmo vinte anos vividos por uma pessoa diferente, de tão antipodal era o seu estado de alma na altura em que decide suicidar-se, face à alegria, a energia e o fulgor do seu espírito na juventude.
Mário tentava sempre, quando ainda fazia um esforço para não desistir de viver, impedir-se de recordar esses bons momentos do passado, por saber que lhe agravavam a dor do presente. "O mau não parece tão mau a quem nunca conheceu o bom. Tomara que nunca tivesse experimentado a felicidade!", pensava ele.
Mas agora que está prestes a acabar tudo, que mal advinha de deleitar-se uma última vez com o sol e o calor desses Verões longínquos? A dor terminaria em breve.
- Seja esta a minha última refeição de condenado, um festim para as sensações! - disse ele.
A sua mente é então invadida por todas essas boas recordações que tanto procurara reprimir: as gargalhadas de fazer doer a barriga, os planos e objectivos idílicos para o futuro, a descoberta do prazer da sexualidade, as fogueiras acendidas pouco antes do Sol mergulhar no mar, com o intuito de obrigarem a praia a dar palco à sua puberdade até durante a noite.
Mário trauteia uma música da adolescência, de um desses Verões insuportavelmente felizes, e conforta-se com acreditar que dentro dos vãos e grutas daquela defunta praia ainda é possível ouvir o eco da sua melodia.
No alto do precipício o vento fustiga-o, e ele, de olhos fechados, imagina-o como sendo os seus amigos a saltarem para cima dele em jeito de brincadeira.
Esteve assim largos minutos, a colher quanta felicidade podia colher de um campo de alegrias já ceifado há muito. Até que a noção do presente retorna, para converter essa alegria em suplício: a realidade desesperante que põe fim à miragem de um oásis.
A chuva começava a cair tímida e lentamente, mas era perceptível que se estava a tornar ligeiramente mais forte a cada minuto que passava. Mas o vento, pelo contrário, seguia o sentido oposto ao crescendo da chuva.
-Ah, sim, o último banho do meu último dia de praia - diz Mário sarcasticamente, no seu habitual exercício de auto-comiseração, levantando a cabeça para encarar a chuva.
- Basta! - resmungou ele, cheio de repulsa de si mesmo, por não conseguir deixar de tratar com sarcasmo nem mesmo aquele que era o momento mais sério da sua vida.
Dito isto, baixa a cabeça, fita o abismo, vendo o mar que parecia aumentar de fúria, ofendido com a indiferença dos rochedos, e, sem ponderar um segundo, por medo que a coragem lhe viesse a faltar, dá aquele que pretende que seja o último mergulho da sua vida.
Mantém os olhos fechados e sente nos ouvidos o assobio do ar, que sobrepõe-se ao som da ira do oceano. E assim vai descendo, até que, de súbito, vê as memórias da sua vida, que naquele derradeiro momento parecem-lhe mais vívidas do que alguma vez pareceram, darem lugar a memórias estranhas e alheias a tudo o que vivera, e mas mais bizarro ainda: vê-as, não da sua perspectiva, mas da perspectiva de outra pessoa, que ele não fazia ideia de quem era.
Assustado, abre os olhos de repente e vê o mar a uns quantos metros de distância. Depois disso não se lembra de mais nada.

Quando acordou, Mário deparou-se com uma enfermeira que, empunhando uma seringa, tentava encontrar uma veia no seu braço. Ao vê-lo acordar, a enfermeira apressa-se a chamar um médico.
- O que é que aconteceu? - pergunta Mário, desorientado, ao médico que lhe auscultava o peito.
-Não se lembra do que aconteceu? - pergunta o médico. - O senhor atirou-se de uma falésia. Por sorte, ou mesmo por milagre, caiu numa zona em que a água tinha profundidade suficiente para que não tivesse morte imediata nas rochas. O hospital irá contactar a sua mulher e o o seu filho para informá-los que o senhor já se encontra consciente.
-Desculpe!? Mulher e filho? Eu sou solteiro e vivo com os meus pais! Enganou-se no paciente.
O médico, surpreendido, observa a sua ficha clínica e pergunta-lhe:
- Você não se chama Mário Costa Figueiredo?
-Sim - respondeu Mário.
-Então não há nenhum engano!
-Não, desculpe, há de certeza um equívoco... - retorna Mário, irritado e, ao tentar levantar os braços em protesto, repara que um deles estava algemado à cama.
- Ah, sim já me lembro, apanharam-me finalmente! Mas eu não tenho família nenhuma! Nem sou responsável pelo crime que me atribuem!
O médico calou-se, na dúvida entre estar perante um legítimo caso de amnésia ou um criminoso a mentir para tentar passar a ideia de que estava inocente.
Disse: "eu volto já" e afastou-se.
Os dois polícias que estavam de vigia à porta da sala onde Mário estava internado entraram assim que o médico avisou-os que ele tinha acordado e, a alguma distância, fitaram-no com cara de poucos amigos e trocaram entre si palavras que Mário não conseguia ouvir.
Provavelmente insultos, pensou Mário.
E pela razão certa, mas não contra a pessoa certa. Mário era suspeito de matar uma mulher grávida. O crime fora gravado e a cara dele tinha aparecido na televisão, mas não era ele.
Porém, o facto de se ter posto em fuga não fizera nenhum favor à sua reputação de auto-proclamado inocente, embora se ele próprio se tinha visto em vídeo a cometer aquele crime hediondo, seria impossível parecer mais culpado mesmo que tivesse ficado placidamente sentado no sofá à espera que a polícia arrombasse a porta de sua casa para o prender.
Setenta e oito dias em fuga andou Mário, até ser encontrado inconsciente na praia, após a tentativa falhada de suicido.
Mas porque fugiu Mário? E porque se tentou matar? As respostas, que parecem óbvias - não ser injustamente condenado por homicídio e estar cansado de viver como um pária fugitivo - não satisfazem totalmente as perguntas. Se esses foram factores a ter em conta, havia contudo algo de mais profundo, mais inquietante e mais assustador - ele fê-lo porque, no seu íntimo, sentia-se de alguma maneira culpado pelo crime que não cometeu.
Um Mário completamente seguro da sua inocência talvez não fugisse se o acusassem de um crime cometido por outrem. E decerto que jamais aceitaria carregar a culpa alheia por um crime, mesmo que todas as testemunhas jurassem pelos parentes defuntos que o tinham visto a disparar a arma. Nem mesmo que ele se tivesse visto a matar a vítima, como de facto viu. Nem mesmo que a sua vida dependesse disso. Mário estava inocente e sabia-o com toda a certeza, mas sabia também, com equivalente grau de certeza, que era (um pouco) culpado.

Mas os problemas de Mário não começaram com o homicídio.
Um estranho acontecimento ocorrido vinte anos antes, fora o que dera início à inexorável descida de Mário ao abismo.
Mário sempre jurou que pouco tempo antes do acidente que o tinha deixado desfigurado, tivera uma premonição. Um sentimento repugnante, um misto de desespero e medo avassalador, acompanhado por um arrepio na espinha, que sentira ao ver um relâmpago cair no sítio onde meses mais tarde seria atropelado por um carro.
Estropiado e desfigurado, não foi mais capaz de arranjar emprego e muito menos manter uma vida amorosa com uma mulher. Tinha passado os últimos vinte anos da sua vida a viver em casa dos pais, dependente destes, sem quase nunca sair à rua. Um adulto que nunca experimentara ser adulto, alguém que ia envelhecendo mas cuja vida parara para sempre na adolescência.
Sem coragem para matar-se, a única coisa que desejava, dia a pós dia, era a morte.


As provas não deixavam margem para dúvida: as impressões digitais recolhidas no local do crime eram dele, bem como ADN. Se ele não era culpado deste crime, as prisões estavam cheias de inocentes.
E no entanto não era culpado, asseverava ele com toda a convicção e honestidade possíveis de se encontrar num inocente injustamente acusado.
Mário foi condenado à pena máxima. A "sua" mulher esteve presente no julgamento, chorosa, desolada, horrorizada. E na cara de Mário era patente a incredulidade de um viajante do tempo que encontra no futuro um mundo tecnologicamente impossível de conceber na sua era. Estarei louco?, pensou ele. E foi nisso que preferiu acreditar, confrontado com a sua "nova" realidade. Mas não cometi aquele crime, posso estar louco mas não sou assassino!
A mulher visitou-o relutantemente apenas uma vez na prisão. Quando, durante essa visita, ele lhe disse que nunca a tinha visto na vida e que não tinha filho algum, nem com ela nem com ninguém, ela sentiu alívio por ter sido ele a pôr fim a tudo. Se fosse eu a rejeitá-lo, ele ainda me mandava matar!, pensou ela à saída da prisão.Mário depressa se aclimatou à vida de recluso, que ele não considerava pior que a vida miserável que tinha levado durante os últimos vinte anos, enclausurado em casa dos pais. Ao fim do primeiro ano, Mário decide escrever um livro, uma espécie de biografia "barra" apologia da sua inocência.
Falou da premonição, do acidente meses mais tarde, da visão que teve quando se tentou matar; tentou demonstrar o seu álibi para a momento do crime e falou das suas famílias: a verdadeira, os pais, dos quais nunca mais teve notícia e nunca mais não foi capaz de encontrar, como se nunca tivessem existido (a casa onde viviam também não existia), e da nova família e nova vida que o universo lhe atribui depois de se ter atirado da falésia.

O manuscrito chamou a atenção do psiquiatra que acompanhava Mário. O psiquiatra tinha diagnosticado Mário com amnésia retrógrada e classificara as memórias anteriores ao acidente de confabulações.
O psiquiatra tinha um amigo, Alexandre, um sujeito lunático mas interessante, que tinha interesse no ocultismo, em particular na parapsicologia. O psiquiatra, Carlos de seu nome, que gostava de ficar a ouvir o seu amigo e antigo colega de faculdade a debitar disparates fantasiosos mas originais quando se encontravam aos domingos à tarde, na casa deste último, sempre com um leve sorriso de troça na cara, sem, contudo, ser desrespeitoso e sem que Alexandre levasse a mal, decidiu mostrar-lhe uma cópia do manuscrito, com a autorização de Mário.
Numa terça-feira de manhã, no caminho para o trabalho, Carlos parou na casa do seu amigo e entregou-lhe o manuscrito, na expectativa de ouvir Alexandre discorrer sobre o assunto no domingo seguinte.
- Olha o que um recluso lá da prisão escreveu. Diverte-te.
E saiu um pouco apressado, pois já ia atrasado.
Domingo chegou, e, para quebrar o hábito, era Alexandre que batia à porta de Carlos logo após o almoço e não o inverso, como sempre sucedera. Estava nervoso e efusivo, como um adolescente prestes a perder a virgindade.
- Tenho de falar com esse tipo. A que horas podem os prisioneiros receber visitas? - perguntou Alexandre.
Carlos tentou demovê-lo, pois não lhe agradava a ideia que um doente mental como Mário, e ainda por cima um paciente seu, fosse influenciado por um excêntrico como Alexandre, por mais bem-intencionado que fosse. Discutiram e foram-se zangando gradualmente mais com o decorrer da discussão. No fim, para não arruinar aquela amizade que ambos prezavam, Carlos concedeu que Alexandre visitasse Mário, até porque não havia maneira legal de o impedir.

O dia em que Mário e Alexandre se conheceram chegou, e, assim que Mário o viu, pensou tratar-se de algum daqueles "novos" parentes ou amigos da sua realidade pós tentativa de suicídio.
- Ah, sim, você é o tal amigo do psiquiatra - disse Mário, aliviado por não ser nada daquilo que esperara.
Alexandre disse que lera o livro e Mário interrompeu-o:
-Deve pensar que eu sou maluco ou mentiroso, não é? - acrescentou ele.
Houve uma pausa e Alexandre, num tom sério, respondeu:
- Não, não acho...
Os olhos de Mário acenderam-se e, após alguns uns segundos, perguntou:
Quer dizer que você... acredita?
Uma pausa, mais longa que a anterior, separou a pergunta de Mário da resposta de Alexandre. Alexandre aproximou a cara do vidro e, como que reconfortando um amigo em sofrimento, diz com voz baixa mas firme:
- Acredito.
Mário pergunta imediatamente, incrédulo e extático:
-Acredita que eu sou inocente ou no resto? Ou em tudo?
Alexandre diz:
-Acredito que teve de facto aquilo a que chama de "premonição". Acredito que viu o que viu quando se atirou para o mar e, embora não descarte a hipótese de amnésia, creio que é possível que esteja a ser sincero quando diz que a sua família não é de facto a sua família. Quanto ao crime, devo ser a única pessoa no mundo que não está convicto da sua culpabilidade.
Mário não sabia o que achar. A realidade para ele não fazia sentido. Se ele próprio vira-se a cometer o crime e sentia-se um pouco culpado por isso, embora soubesse que não o cometera, e se havia provas irrefutáveis que apontavam para si, como é que era possível que alguém duvidasse disso, ainda para mais um total desconhecido como Alexandre? Uma realidade em que Mário era casado e tinha um filho, era uma realidade em que também podia existir alguém como Alexandre. Mas provavelmente estava louco, como preferia acreditar.
Quase a chorar, Mário pergunta:
-O que o leva acreditar em mim?
Alexandre diz:
-Conhece o conceito de doppelganger?
- Sósias? Sim - respondeu Mário.
-Certo - retorquiu Alexandre-, mas não me refiro somente a pessoas apenas com similaridades físicas com outras pessoas sem parentesco. Falo de uma relação entre dois ou mais indivíduos que vai além do que é meramente o aspecto físico, a uma relação de transcendência psicológica, uma ligação talvez metafísica entre mentes.
-Desculpe, mas não acredito nessas coisas - retrucou Mário. - E não vejo o que tem isso a ver com o meu caso. Está a querer dizer que foi um sósia meu que cometeu o crime?
-Não acredita, mas no entanto jura que a sua família foi trocada, que não cometeu o crime apesar das evidências e que viu a vida de outra pessoa à frente quando tentou matar-se. Se não acredita, então só podemos concluir que é louco, certo? E para além disso, é você que afirma ter tido uma "premonição". Ora, não acredita em si próprio? Loucura por certo...

Mário, sentiu-se tocado. Nunca revelara a ninguém que achava que talvez estivesse louco. Mas que outra explicação haveria?
-Não me diga que o meu sósia também tem o meu ADN e as minhas impressões digitais? - disse Mário, um pouco desdenhoso. - E quando eu falei de premonição, se você leu mesmo livro, decerto se lembrará que não invoquei explicações paranormais. Eu senti que algo de mau ia acontecer, e aconteceu. Foi apenas isso, um sentimento. Se eu "adivinhei" o futuro ou se foi um sinal "dos Céus" abstenho-me de especular.
Pense nisto - disse Alexandre-, tal como duas pessoas diferentes, sem qualquer contacto entre si, podem acertar nos números da lotaria, também é possível, mas extremamente improvável, que duas pessoas tenham o mesmo ADN. A probabilidade é tão baixa que no mundo você não encontrará ninguém geneticamente igual a si, mas se a população mundial fosse suficientemente numerosa, seria possível encontrar; e quanto mais numerosa fosse, mais probabilidade haveria. Seriam seus "gémeos" idênticos, apesar de não serem filhos dos mesmos pais... - Mário ia dizer algo, mas Alexandre aumentou e apressou a voz de modo a impedido de exprimir-se. - Quanto à premonição, se você pressentiu algo de mau que iria acontecer meses depois, então é óbvio que temos de recorrer a explicações não usuais para isso, pois prever o futuro não é considerado possível pela ortodoxia científica. Dou-lhe o seguinte exemplo como forma de fazê-lo perceber melhor onde quero chegar:
"Há várias décadas, na Austrália, um homem, incapaz de adormecer, decide ir à varanda para apanhar ar. No momento em que vê a lua cheia sente uma repulsa macabra inexplicável, como nunca tinha sentido, um mal-estar físico como se tivesse ingerido algum veneno. Era perto da meia-noite. No dia seguinte, a polícia bate à sua porta e informa-o que a sua filha fora assassinada. O médico legista determinou que ela tinha sido morta por volta da meia-noite.
"Não havia maneira do pai saber que a filha estava a ser assassinada a dezenas de km de distância, no entanto esse acontecimento foi sentido por ele de algum modo, a não ser que acreditemos que se tratou de uma coincidência.
"Isto costuma acontecer também com gémeos idênticos, em que um deles é sensível ao que se passa com o outro."
-Continuo sem perceber o que tem isso a ver comigo - disse Mário.
-Da mesma forma que a mente consegue sentir a dor ou alegria de alguém que nos é biologicamente próximo, ou mesmo idêntico, você, como confessou no seu livro, talvez sente-se um pouco culpado pelo crime porque aquele poderia ser o seu irmão gémeo ou algum "clone" sem relação a si, como referi há pouco. Esta - um irmão gémeo - seria a explicação mais simples, e portanto mais plausível, para o sucedido. Mas como acreditar nisto se você próprio confessou o crime na sua carta de despedida? E se eu acreditasse nisto não estaria aqui.
Mário ficou atónito:
-Desculpe?
Alexandre, que não estava surpreendido com a surpresa de Mário, não que achasse que ele estava amnésico ou a fingir, diz:
-Sim, após acordar no hospital você revelou o seu esconderijo à polícia e lá encontraram a sua carta, na qual desculpava-se pelo sofrimento causado à sua mulher e filho e confessava o homicídio da sua amante grávida. .
-Não, lamento, isso não aconteceu. Eu escrevi uma carta, sim. Mas como tem você conhecimento disso? - pergunta Mário. Que um estranho tivesse conhecimento de uma carta que nem a polícia que investigou o crime e perseguiu Mário durante quase três meses conhecia, seria motivo de estupefacção e medo para qualquer pessoa, mas em Mário, que já passara e continuava a passar por coisas mais bizarras, isso não causou tanto espanto como deveria. Mário acrescenta:
-Mas não escrevi isso que diz. E para além disso, a polícia, que eu saiba, nunca encontrou a carta porque eu, com vergonha, nunca mencionei o esconderijo. Não queria que a minha carta de despedida fosse descoberta tendo eu sobrevivido, seria vergonhoso demais. Mas em nenhum parágrafo da carta admiti o crime, pois não o cometi. Apenas pedia desculpa aos meus pais pelo sofrimento que lhes causei, motivado pelo sofrimento que eu sentia.
-Lembre-se, eu acredito que esteja a ser sincero quando diz o que diz. E que essa sinceridade não advém das confabulações em que um amnésico acredita, mas correspondem aos factos.
"Eis o que eu acho: você não matou aquela mulher. Mas você também matou-a. E as suas duas famílias são ambas suas mas não ao mesmo tempo. E as memórias que viu na mente são suas e e não são suas, pois foram e não foram vividas por si.
"Aquela sua premonição, tida no momento de uma descarga de energia - o relâmpago - foi a recolecção, por parte da sua mente, da informação de um evento que tinha acontecido no futuro, mas um futuro doutro universo, futuro esse que, em relação à linha temporal do nosso universo, seria um acontecimento do passado. Doutro modo, você não poderia ter tido a premonição, pois a causa (o acidente) teve de anteceder o efeito (a premonição do acidente) para que aquele pudesse ser previsto. Como, de acordo com as leis da física, as causas nunca antecedem os efeitos, o acidente teve de ocorrer primeiro noutro universo para que o conhecimento dele neste universo pudesse anteceder o seu acontecimento neste universo. É esta, a meu ver, a explicação para o fenómeno vulgarmente denominado «premonição»: a falsa «previsão» do futuro que não é mais que a lembrança, neste universo, de um evento já ocorrido noutro universo e que irá também ocorrer neste. E falo da verdadeira premonição, não da ilusão de premonição que advém das naturais falhas e vieses cognitivos da mente humana."
-Agora você já está a abusar- disse Mário. - Ou você é mais louco do que eu ou está a fazer pouco de mim.
Alexandre esboçou um sorriso, mas logo ficou sério:
- Não, repare, o que eu lhe estou a tentar dizer é que acredito que cada um de nós tem pelo menos um outro "eu", e talvez uma infinidade de "eus", que existem simultaneamente connosco, mas não aqui. O que acontece, na minha opinião, é que, por razões que ainda não vislumbro, às vezes esse(s) diferente(s) universo(s), ou partes dele(s), como você, ou eu, ou uma cadeira, ou uma árvore, ou um simples átomo, cruza(m)-se com o nosso, da mesma maneira que duas linhas de pesca se emaranham ao cruzarem-se, ou como dois fios de electricidade, que correm paralelos de um poste ao outro, tocam-se quando há vento. E ao fazerem-no podem trocar matéria, energia e informação. As memórias que você viu, e que se calhar irá ver com mais frequência, ou nunca mais, são as memórias do seu outro "eu" de um universo paralelo, com o qual você trocou informação. A "nova" vida que todos dizem ser sua após a queda no mar, talvez não seja mais que a "sua" vida de um universo paralelo. Talvez você não seja deste universo, ou talvez sejamos nós, e quando digo nós refiro-me à totalidade do que existe neste universo, que estejamos a mais; se calhar este universo, ao emaranhar-se com outro, foi esvaziado do seu conteúdo original, excepto você, e preenchido com o conteúdo desse outro universo. E agora você, neste seu universo, paga pelo crime que o seu outro eu cometeu naquele nosso universo. E o seu outro eu deve andar por lá livre como um passarinho. Que bela forma de escapar à justiça, não acha?
"E às vezes, creio que acontece o seguinte: quando dois universos se «cruzam» apenas um deles recebe matéria ou energia do outro. É esta, a meu ver, a origem de alguns doppelgangers. Que podem ser de pessoas, animais, plantas ou coisas inanimadas.
"É natural que se sinta culpado do crime, foi você que o cometeu. Se um pai é capaz de sentir uma filha a ser assassinada e um gémeo a dor de outro gémeo, como não havia você de sentir o que você próprio fez?"
Mário abanou a cabeça como quem está farto de ouvir baboseiras e levantou-se da cadeira.
-A visita acabou - disse ele ao guarda. E foi reconduzido à sua cela.
Devo estar louco, de facto. E se calhar até cometi o crime e não me lembro. Se calhar estão todos certos. Mas aquele tipo também não devia andar à solta, pensou Mário. E talvez estivesse certo também.
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2020.06.30 10:51 alteregoshadow Resumo do resumo preguiçoso do bug interno

A formatação vai ficar um lixo por motivos de bug No momento estou tentando bater meu recorde de 72h em jejum, enquanto aproveito mais uma ótima madrugada sozinho na cozinha escura ouvindo o tic tac do relógio de parede comprado na lojinha de 1.99 Até que me lembro de quando o meu eu do passado chorou na minha frente, e eu não consegui resistir e comecei a chorar também Ele me disse que tinha medo de sentir dor. Dei um abraço bem forte nele, falei pra ficar tranquilo. Já passamos por tanta dor juntos Já jogamos airsoft na linha de frente tomando tiro pra caralho, já caímos morro abaixo, já comemos três pizzas e tivemos um mini ataque cardíaco... Sei lá, há um tempo atrás eu prometi a ele que ninguém nunca mais iria mexer comigo de graça Eu ia deixar de ser "bom em nada", e eu ia deixar de ser só mais um saco de pancada (é sempre muito fácil transformar uma criança num saco de pancada, né?) Enfim, minha jornada continuava. O meu eu da época das sombras foi recomendado por um anônimo de fórum da ""deep web"" a fazer academia e se livrar dos vícios. Meu eu daquela época nunca fez isso, tive que fazer por ele Calma... por que estou digitando isso aqui? Eu nunca gostei desse lugar. Acho a comunidade brasileira do Reddit muito chata e fresca. Mas eu também sou chato e fresco kkkk talvez exatamente por isso esteja aqui Resolvi criar uma conta agora, entrava só como visitante de vez em nunca, até pq nunca tem nada de interessante aqui. É quase sempre os mesmos tópicos falando ou de relacionamento ou solidão Mas esse não é o primeiro tópico que faço aqui... Já fiz um falando sobre como estou fazendo minha carta de suicídio kkkkk A carta de despedida (o suicídio lá nem é explícito) é apenas um pedido da minha sombra Não quero me matar pelo menos não por enquanto Muito leviano da parte de vocês redditors ao fazerem aqueles comentários no meu post. Mas não os julgo tbm, não há muito oq esperar de uma comunidade chata e fresca kkkkkk Lembrei em 2018 quando tive um amigo virtual nos tais fóruns da ""deep web"" (* som de fantasminha genérico *), ele era bem carinhoso comigo, já me deu um jogo de presente na steam; porém certo dia eu forjei minha própria morte, e passei a ignorá-lo completamente, sinto-me um cusão por ter feito isso, pelo menos é cômico voltar de tempos em tempos naquele fórum com uma conta fake e ver que o pessoal lá realmente acha que eu morri... meio sinistro na vdd Mas ainda assim sinto que não deveria ter feito isso, fico com a consciência pesada muito facilmente, lembro-me até hoje de quando roubei uma balinha no mercadinho do seu zé da esquina, tinha uns 12 anos; ou então no primeiro ano do ensino médio quando estava zuando uma amiga que tirou nota vermelha em física, mas ela começou a chorar... ver aquilo partiu meu coração, e para minha redenção decidi que seria justo ajudá-la a recuperar a nota, afinal além de tudo eu tinha as maiores notas de física da turma. Assim que ela recuperou a nota, voltei a zuar ela kkkkk mas nunca deixou de ser minha amiga por isso; uma vez já escreveu bem grande na contracapa do meu caderno de matemática "alteregoshadow, eu te amo". Guardo esse meu caderno até hoje (tudo bem que alguns dos meus amigos resolveram encher a página de desenhos de pinto, porém a frase ainda está lá) Eu fui meio pestinha na época de escola, em especial nos últimos anos do fundamental, uma vez eu fiquei acumulando saliva na minha boca por horas e depois soltei toda a cachoeira na mesa do meu amigo que sentava atrás; ou quando eu ficava pegando um monte de barata e lagartixa morta pra colocar nos estojos das meninas Sabe, sinto falta dessa época. Nem muito pelo motivo clichê de época da escola, simplicidade e tal, mas mais pq acho que foi a época em que eu fui a melhor versão de mim Um amigo meu mora num lugar bem isolado, tipo um sítio mesmo, mata densa e tal. A gente ia lá vez ou outra pra brincar, e era bem dahora. Esperávamos chegar a noite pra fazer o clássico pique esconde na floresta escura. Eu era conhecido por ser um dos melhores, não me encontravam nunca, até pq eu não tinha medo de me deitar e rolar no mato; saía correndo engolindo teia de aranha, lesma, pisando em cobra, enfim Era conhecido também por ser muito bom nos videogames e tirar as maiores notas da sala Aquilo definitivamente era a concretização da promessa que fiz ao meu eu de um passado ainda mais distante: disse que ia estudar mais, treinar mais, ser mais sociável E tudo isso aconteceu. Fiquei mais inteligente, mais forte, mais ágil, e do aluno mais "fantasma" da escola me tornei o líder de um grupo que reunia basicamente todos os garotos da oitava série. Ninguém mexia comigo, mas também nunca fui autoritário, zuava todo mundo e era zuado de volta. Certa vez a turma se uniu contra mim e jogaram todo meu material no lixo kkkkkk ri muito no dia Mas depois disso... sei lá Passei a frequentar academia, vez ou outra estudava um pouco, mas nada na mesma intensidade ou emoção A real é que eu passei toda minha infância sozinho na vdd. Meus pais trabalhavam o dia todo e meu irmão mais velho estudava em tempo integral. Na época teve um grande surto de dengue na minha cidade, por todo lado era cartaz falando da importância de tomar cuidado, afinal, dengue MATA. Aquilo me deixava demasiadamente pensativo, como assim morte? Eu nasci pra morrer? O que vem depois? Todo dia era a mesma coisa, chegava da escolinha e passava o dia inteiro pensando em morte, isso com uns 5 anos de idade. Pouco tempo depois, a situação piorou quando começaram as histórias de fim do mundo. Lembro que até chorava de tanto pensar nisso. A primeira vez que pensei na possibilidade de suicídio tinha uns 8 anos. Também nessa época foi quando presenciei um acidente em que um caminhão passou bem por cima da cabeça de uma menininha de uns 2 anos. Aquilo me marcou muito, e quando eu cheguei em casa, esperei todo mundo dormir para ligar o computador e pesquisar "fotos de cérebro", "fotos de acidente" e etc. Acabei parando em vários blogs e fóruns de gore (que eram bem mais comuns naquela época). Ficava assustado ao ver a fragilidade humana nos acidentes e pasmo ao ver a frieza de alguns para torturar outras pessoas por motivos torpes. Ainda assim, assistir gore acabou se tornando uma prática que levo até hoje (com menos intensidade), não por ser um psicopata que gosta de ver a dor e sofrimento alheio mas pq acaba me lembrando das minhas "origens", pensar sobre a morte e etc (todo mundo já deve pelo menos ter passado por uma situação em que sabe que vai se frustrar ou enraivecer mas mesmo assim segue em frente, é mais ou menos isso). Para morrer basta estar vivo, foi nisso que me toquei na época Posteriormente, com 10 anos, foi o momento em que fiz aquela promessa para mim mesmo. Não darei muitos detalhes aqui, e oq aconteceu logo depois já contei... Mas e após tudo isso? Bem, depois que o meu "auge" se foi, eu percebi que todos esses pensamentos ruins na vdd não sumiram, apenas estavam se escondendo. Quando voltaram, foi de uma vez. E ao invés de tentar lidar com isso de uma maneira normal, eu simplesmente achei que seria uma boa ideia dividir minha mente em partes. A maioria de meus alter egos são na verdade versões de eu mesmo porém em diferentes épocas. Porém também tem a minha sombra (pra quem conhece o conceito de Sombra do Carl Jung talvez entenda melhor isso). E oq aconteceu foi que, eu acabei criando egos que brigam entre si constantemente, deixei todas as minhas características positivas a um ser superior, idealizando um eu melhor que eu, um eu que agarrou todos seus potenciais e os explorou ao máximo, uma pessoa que eu nunca conseguiria ser porém dizia ser no mundo internético afora. Estava mentindo para mim mesmo Sabe, cada um dos meus alter egos têm uma qualidade. Um é bondoso, tem o inteligente, o criativo... porém parece que o que sobrou para mim foi apenas loucura. Poxa, eu já fui cada um deles, por que não consegui pegar pelo menos uma parte boa de cada um? Parece que eu regredi. O certo não seria, ser uma pessoa melhor a cada dia? Se eu ao menos pudesse juntar a bondade, criatividade, inteligência, e etc, eu definitivamente iria orgulhar o meu eu do passado, mas ao invés disso, estou apenas enganando ele e a mim mesmo, colocando todo meu potencial num alter ego superior que me consome a cada dia É complicado, por um lado tem a promessa que fiz que me mantém vivo, querendo cumpri-lá. Mas por outro, eu vejo eu mesmo desprovido de significado, tenho uma vida boa, bons amigos, situação financeira estável, minha família não gosto tanto mas relevo, enfim, mas parece que nada me é suficiente. Sinto que a vida é só um tédio extremo mesmo, até em momentos que era pra eu me divertir estou entediado, ou então quando de fato me divirto, depois o sentimento de vazio vem ainda maior, não dá pra explicar com palavras, o que posso dizer é que sou extremamente curioso, o que me atrai ao suicídio é o fato de ser uma morte planejada, eu poderia saber quando e como morrer, preparar uma carta de despedida, fazer uma "queima de arquivo" e etc, mas por outro lado, eu ficaria extremamente agoniado em não saber qual seria a reação das pessoas diante minha decisão. É literalmente a curiosidade o que mais me mantém vivo, e por vezes, a curiosidade de saber como seria meu suicídio é a predominante E não falo de tristeza ou depressão, sei lá eu nunca fui atrás de um profissional, mas eu sinceramente não acho que tenha depressão, no máximo TDAH pois de fato sou muito hiperativo e perco o foco muitas vezes, tropeço algumas vezes e (não sei se tem muito a ver) às vezes tenho a sensacão de que estou girando ou caindo, principalmente quando eatou sentado ou deitado em um ambiente escuro, mas assim, eu acho que a vida, especialmente hoje em dia e ESPECIALMENTE para pessoas como eu, é assim mesmo. Eu não preciso estar depressivo para sentir como a vida realmente é, e sinceramente tô cada vez menos ligando pra isso. Eu aprendi desde muito cedo a lidar com silêncio, solidão e tédio(esse é o mais difícil), além do mais tenho imaginação fértil então o meu maior passatempo (entretenimento, hobby chame como quiser) é só me perder na minha mente mesmo. Poxa, tem um universo inteiro dentro de mim para ser explorado, não quero me preocupar com coisas mundanas. E pra quem me critica, dizendo que isso é fugir da realidade, pensem que TUDO (ou quase tudo) que o ser humano faz no tempo livre é exatamente para fugir da realidade. A vida real é meio chata né kkkkkk. Jogar videogame, assistir filme/série que seja, jogar rpg de mesa, ler um livro, ouvir um audiobook ou podcast ou até mesmo uma festa com bebida e música alta, tudo isso serve para as pessoas fugirem da realidade, mas diferente do que eu faço, já que eu fujo da realidade mas pelo menos não fujo de mim mesmo Eu fujia de mim mesmo no último ano do ensino médio, sabe né, aquele ano que ngm liga. Ia e voltava pra escola a pé, e sempre passava na lojinha pra comprar chocolate, me viciei naquilo. Sempre comia no caminho e colocava a embalagem na mochila. Até que resolvi contar quantas embalagens tinham e pasmém, quase 80, isso em um pouco mais de 2 meses Sempre tive um mundo onírico muito vivo, desde criança bem pequena, sinto os meus sonhos de fato, lembro quando tinha uns 6 ou 7 anos sonhei que um guerreiro samurai atravessou a longa katana no meu peito e foi uma das maiores dores que senti. Tento às vezes praticar sono induzido, dou risada dormindo, falo dormindo e por vezes até escrevo ou desenho dormindo (não sou sonâmbulo). Comecei a perceber que boa parte dos meus sonhos envolvem meus alter egos, e na maioria das vezes estão em um ambiente fantasioso (como uma mansão ou castelo mal assombrado, cemitério, labirinto e etc) e precisam trabalhar juntos para resolver os puzzles e escapar Na maioria dos sonhos eu não sou o protagonista ou sequer participo, apenas observo os meus egos, em terceira pessoa Muitas das vezes a minha sombra mata os meus egos nos finais dos sonhos É muito simbolismo envolvido, ainda estou pensando sobre isso, pode ser uma autosabotagem (suicídio) ou então algo do tipo matar o velho para manter o novo, eu não sei Se tem uma coisa na qual eu posso ser grato, é por ter tido sorte para arranjar bons amigos. Sei que muita gente (em especial desse sub) deve ter mais dificuldades com isso, eu por outro lado, apesar de nem precisar tanto pois me dou bem comigo mesmo e na maioria dos momentos até prefiro estar sozinho, tive bons amigos. Às vezes é bom ter uma boa companhia. Aquele meu grupo da oitava série que falei anteriormente, mantenho contato com quase todo mundo, ainda considero sim porém cada um seguiu seu rumo e não tem nada de errado ou anormal nisso. Acho que muita gente que sempre teve dificuldade em fazer amigos cai no erro também de romantizar demais a amizade, do tipo "seremos amigos para sempre" ou sei lá mais oq. É completamente natural que com o tempo o afastamento ocorra, não precisa se sentir mal se as conversas não fluem mais Inclusive uma vez mandei uma mensagem para um amigo não se preocupar comigo pois em no máximo 5 anos provavelmente não iríamos mais nos falar de qualquer maneira, e ele respondeu: "Como assim com certeza continuaremos a nos falar e jogar Airsoft e RPG por muito anos a vir!". Admito que quase chorei lendo isso, e me senti fraco Mas continuando, em especial na internet, existe muito isso. Às vezes vem alguém desabafando por não ter amigos, recebe várias mensagens de pessoas para conversar, porém essas mesmas pessoas depois dão o famoso "ghosting". Olha, isso é bem previsível na verdade. Apenas faça a si mesmo a seguinte pergunta: "Quantos de seus amigos virtuais seriam seus amigos se você os conhecessem no mundo real, ao invés de no mundo virtual?". É apenas um questionamento, mas acho interessante. Pois é muito fácil falar que é amigo de qualquer um na internet Inclusive, entrei num servidor público de discord, daqueles só pra conversar e tal, e pqp parece que é impossível achar um servidor de discord em que a userbase não esteja repleta de adolescentes genéricos que têm problemas de autoestima e passam o dia jogando videogame ou assistindo filme/série/anime, tinha mto pré adolescente tbm de idade entre 11 até 14 anos Não ficava muito a vontade lá, as regras tbm eram muito vagas, não podia ser ofensivo no chat mas não estava definido oq era ofensivo pra staff. Levei um aviso simplesmente pq um adm lá quis, ainda não entendi que regra quebrei, ele provavelmente só estava de mal humor mesmo sla Tinha um canal de desabafo que só podia falar "coisa séria", aí uma vez falei sobre como fico puto por comer muito chocolate e queria mesmo era encher minha perna com tiros de airsoft, aí levei outro aviso por não respeitar a seriedade do canal. Sla né, autosabotagem não é uma coisa séria pra ele? Foda, muita arbitrariedade. Não tem como arranjar um servidor público decente. Sempre tem uma userbase majoritariamente imatura, joguinhos e eventos sem graça e confusos, enfim Mas oq eu queria fazer naquele servidor, eu fiz aqui. Provavelmente não da melhor maneira, certamente não da maneira como eu imaginava, mas está feito Ficou confuso e grande pra caralho lol
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2020.06.09 21:40 Copos_d_agua Acho que cheguei no fundo do poço, mas ao invés de subir estou indo para os lados

Oi! Na verdade eu nem sei por que estou escrevendo isso, talvez me sinta melhor depois de ter desabafado o que eu tenho a dizer, não sei. Bem, antes de começar, eu gostaria de avisar a você que está lendo que provavelmente você vai perder alguns minutos da vida lendo o que eu vou escrever a seguir e que o meu texto provavelmente não acrescentará em nada para o seu desenvolvimento de qualquer maneira que seja. Então, eu aconselho fortemente você procurar algo de mais útil para fazer ao invés de ficar perdendo tempo com as minhas bobagens abaixo.
Enfim, vamos lá.
Eu era uma criança isolada, meus passatempos eram diferentes, desde a minha infância nunca tive facilidade para fazer amigos e conforme o tempo passou isso apenas piorou. Quando comecei a ir à escola, era apenas isso mesmo, eu queria estar nas rodinhas de conversa, queria não ter que passar o intervalo sem ninguém como sempre e queria ter alguém para conversar sobre os desenhos e revistas em quadrinhos que eu tanto gostava quando era criança. Pois é, nada disso deu certo. Bem, eu até tive alguns poucos momentos que aconteceram o que eu escrevi acima, mas na maior parte do tempo, não foi como era com os outros. Eu não gosto de falar sobre ''bullying'' pois isso está ficando cada dia mais distorcido, hoje em dia qualquer pessoa que leva qualquer xingamento do outro amigo e já diz que sofreu ''bullying'' e fica por isso mesmo... mas no meu caso não era algo tão simples como qualquer xingamento, antes fosse na verdade. As crianças eram cruéis comigo, como eu citei acima, quando eu tentava me juntar a rodinha de crianças da turma, eles escondiam as coisas que estavam fazendo e não voltavam a falar enquanto eu não fosse embora. Eu não tinha as mesmas capacidades físicas que as outras, a magreza e os problemas respiratórios arruinaram o pouco das capacidades física que me restaram. Resultado: Como você deve estar imaginando, eu apanhava. Eu apanhava e não conseguia evitar por falta de capacidade. Sempre me disseram desde o início que era para tratarmos as pessoas como desejamos ser tratados certo? Pois é, eu levava essa idéia muito a sério, não gostava de agir contra as regras, por causa dessa idéia eu não batia nas crianças que me batiam, eu tentava evitar de apanhar, porém eu não batia, não bati em nenhuma delas. Será mesmo que eu devo considerar isso um mérito?
Anos se passaram e eu desisti de vez de ter amigos, foi tanto tempo me humilhando que uma hora eu percebi que não valia mais a pena. Comecei a aproveitar o meu tempo sozinho para aprender a me divertir sem ninguém. Portanto, passava a maior parte do tempo lendo, pesquisando aleatoriedades na internet e jogando videogame. Detesto me gabar, mas escreverei mesmo assim. Minhas notas eram boas antes, talvez fosse o único motivo pelo qual as vezes o resto do povo me tolerava de vez em quando, elas foram ficando ainda melhores. Tirar nota nas provas e trabalhos não era problema para mim.
A minha adolescência não foi boa nem ruim, não sei se posso dizer que foi melhor que a infância pelo menos. Acho que tive a realidade de todo adolescente recluso que já é bem difundida. Depois de ter desistido de vez de me enturmar, percebi que estava se tornando cada vez mais difícil de conversar com as pessoas, eu não conseguia chamar nem os meus colegas de classe para perguntar algo quando eu faltava de aula ou quando era algum trabalho em grupo. Medo de decepcionar as pessoas era constante, toda vez que eu estava conversando com alguém eu sentia essa sensação, não queria fazer com que as pessoas se sentissem mal por estarem conversando comigo. A melhor forma que eu achei na época para não sentir isso, era evitar ainda mais as pessoas.
Eu não tenho redes sociais, nunca tive, não queria contato com ninguém, na minha visão era prejudicial tanto para mim quanto para a outra pessoa. Então eu evitava todo tipo de coisa que tivesse alguma relação com isso. Até mesmo se esse relato começar a ganhar muito destaque aqui eu provavelmente irei apagá-lo. Só fui ganhar um celular perto de fazer 18 anos, pois eu realmente não teria nada para fazer com tal aparelho.
Os meus passatempos sozinhos foram se diversificando cada vez mais, já cheguei a gravar vídeos para o youtube, estudar quatro idiomas, começar a escrever um livro de fantasia (já tem mais de 25 capítulos, um dia eu ainda quero terminá-lo inclusive) , aprender a usar um monte de softwares no computador e até mesmo dobraduras de papel eram a minha diversão.
Depois disso tudo, não sei se me sinto contente, é como se eu apenas estivesse contornando o problema ao invés de resolvê-lo (Eis o porquê do título desse relato.)
Possíveis soluções? Hum!? Ajuda profissional eu já tentei e não deu certo, apenas foi me dito o que eu já sabia. Minha família não é unida, mas pelo menos uma parte dela me ajuda na medida do possível. Eu poderia voltar a tentar a fazer amigos, mas sinto que não quero forçar ninguém a me aturar novamente. Eu acabei o ensino médio ano passado e saí de lá com 0 contatos, não há ninguém com quem eu possa conversar sobre isso, até mesmo aqui no Reddit já vieram algumas pessoas tentar conversar comigo mas eu não consigo, tenho vergonha e não quero decepcioná-la.
Enfim, se você leu até aqui, eu te agradeço e ao mesmo tempo peço desculpas por te fazer perder tempo contando minha vida, só queria um lugar para poder organizar meus pensamentos mesmo. -
> Agradecimentos e tenha um Bom Dia/Tarde/Noite :)
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2020.06.03 22:21 tampinhaa44 Eu sou babaca por achar que não devo desculpas a um menino que debochou das minhas desculpas?

Olá Lubixco, turma que está a ver, editores, hackers russos e (im)possível convidado! Hoje eu vou contar uma história recente, porém longa, pra vocês julgarem se eu sou a babaca ou não. Espero que gostem!
Pra dar um contexto, eu trabalho numa plataforma parecida com o Tik Tok e por trabalhar com isso, eu tenho vários contatos de amigos e colegas de várias partes do país. Tem alguns prints de conversas pra baixo então eu vou indicar mais ou menos quem é quem e oq cada um é na minha vida (com nomes fictícios é claro)
Davi - 19 anos, mais de 1M de seguidores
Marcos - moderador do grupo, um dos meus melhores amigos, 40K de segs
Carla - 13 anos, minha melhor amiga, 500K de segs
Mariana - 18 anos, 3.3M de segs (um parênteses aqui é que ela é uma pessoa incrível e é a maior influenciadora desse app, ela é tipo uma mãe para todos ali, ela é imbátivel, seria impossível ganhar dela em qualquer votação independente pra que fosse)
Eu - 13 anos, 900K de segs
Tem outras pessoas participando disso, mas os nomes não são relevantes
Bom, há três anos, eu e meus amigos fazemos uma espécie de Big Brother, com provas, eliminações e quase tudo que se tem direito (menos ficar na mesma casa pq cada um é de uma parte do país). Eu participei das últimas duas edições, sendo que na primeira que eu participei, fui tão planta que nem me lembro doq aconteceu. Nessa última edição, de 2020, estávamos todos muito animados, afinal seria um Big Brother com paredões reais e rejeições reais. Não vou contar oq aconteceu nas provas pq não é relevante, a questão é que em certo momento do jogo, uma participante fez uma pergunta simples como “o voto vai ser divulgado?” e então o Davi respondeu de uma maneira muito grossa, chamando ela de burra e tals... Eu me senti mal por ela (afinal eu já sabia que o Davi não gostava de mim pq ele sempre soltava indiretas pra mim, geralmente zombando da minha vida amorosa) mas resolvi não dizer nada. Então a Carla disse no grupo que ele deveria ser um pouco menos grosso com as pessoas e que ela não tinha feito nada pra ele. O Davi ficou puto por causa disso e fez o jogo inteiro colocar a Carla no paredão. No dia seguinte, ele fez uma live mandando votarem pra Carla sair (até aí tudo bem, meio grosseiro da parte dele, mas é um jogo, entendemos que não tinha nada de pessoal ali apesar de ele nem estar no paredão). A Carla saiu e, enquanto eu ficava triste pela saída dela, ele comemorava. Nada contra pq ele tem o total direito de não gostar dela, e eu entendo isso. No dia seguinte à eliminação da minha amiga, ele convenceu o líder a me colocar no paredão. Pelo voto do resto da “casa” quem foi ao paredão comigo foi a Mariana (lembra que eu disse que ela era imbatível? Pois bem eu não estava brincando). Mariana disse que não ia fazer nenhum tipo de apelo pq não ligava muito pro jogo (e pq não precisava). Em certo momento das conversas do grupo, eu discutindo com o Davi por ele saber que seria totalmente injusto me colocar contra a Mariana, ele solta uma assim “quando vc tiver todos os dentes da frente, a gente conversa, tá?”
Isso me quebrou... eu sou uma pessoa extremamente segura com meu corpo mas meus dentes são meu ponto fraco... Eu caí no choro e disse a ele que a atitude de me chamar de sem dente foi extremamente podre; até pq, com inseguranças não se brinca. Davi disse que não sabia que eu tinha dentes faltando e me pediu desculpas (ele me pareceu bem sincero, apesar de eu quase nunca acreditar nele) então eu aceitei mas disse que continuei chateada. Depois disso, ele gritou comigo e disse que eu sempre acusava os outros, mas quando me acusavam, eu ficava reclamando (do meu ponto de vista, parecia que falava de si mesmo, pq a descrição bate certinho com as atitudes dele) mas eu estava bem mal então não terminei a briga e fui dormir.
No dia seguinte, conversando no grupo, ele soltava várias indiretas pra mim, mas eu continuei ignorando como sempre fazia. Marcos então, vendo a injustiça que fizeram comigo, me defendeu (lembrando que Marcos era o moderador do jogo, tipo um Boninho, e até ele viu que estava injusto pra mim) mas não pôde fazer muito pq ele não pode manipular o jogo, e Marcos mesmo estando extremante frustrado, reconheceu que seria injusto se cancelasse o paredão.
Eu então, fui tentar “arrecadar” votos em uma live minha, com a Carla. Em certo momento da live, nós comentamos com os fãs que achamos que a atitude de Davi de ser extremamente grosseiro com as pessoas, era uma atitude não muito legal, mas não chegamos nem a tocar no assunto de ele me ofender pelo meu corpo, afinal eu não queria que as pessoas o odiassem, apesar de eu não gostar de Davi, sei que o Hate só iria piorar as coisas pra ele e ele provavelmente não aprenderia nada. A live correu muito bem na primeira hora mas depois disso, começou a desandar... As pessoas vinham em minha live dizer que Davi estava em live também e que estava falando mal de mim. Não dei muita bola pq os seguidores geralmente aumentam muito as coisas, imaginei que ele estivesse apenas pedindo para me tirarem do Big Brother, então deixei pra lá e continuei minha live.
Mais ou menos meia hora depois, as pessoas continuavam a comentar sobre ele, até que chegou em um ponto que eu li um comentário exatamente assim: “Davi mandou denunciar sua live” Eu fiquei meio preocupada por eu ser menor de idade e não ter total permissão para fazer live, mas fingi que não li e continuei conversando com a Carla normalmente.
Dois minutos depois, uma amiga muito próxima minha veio na minha live e disse isso: “O Davi tá acabando com vc na live dele, mandou denunciar vc e afins” Por ser uma amiga minha, eu sabia que ela não estava mentindo, então desliguei a live e fui olhar o grupo. Davi mandou diversos áudios e mensagens dizendo que eu tinha que parar de por (pôr?) as pessoas contra ele e que eu precisava parar de jogar a culpa dos meus atos em cima de outras pessoas (novamente, parece até que ele fala de si mesmo) e eu confusa, perguntei o que havia acontecido. Descobri que enquanto as pessoas diziam que ele falava mal de mim na minha live, outras pessoas faziam o mesmo na live dele. Mas diferente de mim, ele resolveu acreditar. Meu amigos disseram que ele me xingou em live e que ele realmente mandou os fãs me denunciarem, mas como eu não vi isso, nem tem gravações de tela, eu prefiro não acreditar 100% neles, pq eu acredito que se não há provas, vc não pode acusar uma pessoa.
Eu entrei na live do Davi e perguntei a ele se eu podia entrar por ligação pra me explicar pra ele e para os fãs (que nesse ponto já comentavam “falsa”, “mentirosa” e até emojis de cobra). Ele atendeu e eu comecei a explicar pra ele que não tinha falado mal dele e que nunca ia mandar denunciar a live dele, pq isso seria extremamente hipócrita da minha parte, já que eu não podia fazer live sendo menor de 16, apesar de eu ter um contrato pra isso, que dizia o contrário. Comecei a pedir desculpas (apesar de eu não precisar me desculpar, pq não fiz nada de errado), disse que eu poderia ter abordado as coisas de outra maneira. No geral, eu pedi desculpas pelas coisas que eu sabia que tinha errado e me expliquei nas coisas que eu achava que eu estava certa. Ele estava completamente cético que eu estava mentindo tudo, apesar de não dizer, dava pra sentir o deboche no olhar dele. Quando eu estava quase terminando de agradecer a ele pela oportunidade que ele me deu de me “desculpar” (sendo que eu não precisava ser desculpada), ele riu. Ele riu na minha cara. Ele debochou da minha situação em live, com mais de 1300 pessoas assistindo. Nesse ponto eu soube que não importava oq eu fizesse, ele sempre se acharia o certo e eu não conseguiria mudar a cabeça dele. Agradeci pela última vez e saí da live. Mas os comentários de hate não pararam, recebo uns até agora por causa disso.
Por fim, quando eu saí, ele me chamou de falsa e quando fui eliminada, ele comemorou. Durante a live, ele disse que tinha prints e gravações de tela de eu falando mal dele, mas quando eu pedi no privado, ele não mandou (deve ser pq não tem, né?) Fiz a mesma coisa e pedi pra todos os participantes do Big Brother pra me mandarem qualquer coisa que tinham minha falando mal dele e ninguém se pronunciou. Se vc estiver achando que eu inventei tudo, eu tenho prints das conversas no grupo e gravações de tela da live dele (não vou mandar as gravações pq não quero expor e nem dar palco pra ele mas vou deixar os prints em anexo.
edit: minha amiga pediu pra dizer também que eu fui muitooo cancelada pelos fãs do Davi (que não são poucos) e que ele se “resolveu” comigo no privado depois, mas nunca se resolveu comigo em live (então o cancelamento continua)... há alguns dias atrás aconteceu uma situação muito parecida com essa com um amigo meu (sim, eu fui cancelada de novo) mas isso fica pra outra história, né?
Nota lateral: os prints são meio confusos pq nós éramos 17 adolescentes em um grupo só, então eles mandavam muitas figurinhas com muita frequência, se eu fosse printar cada coisinha que aconteceu no grupo, ia ficar horrível pra ler, então os prints são meio sem continuidade mas dá pra entender pelo que eu falei aqui.
Mas então... Am I the asshole por achar que eu não devo desculpas a ele? Pode ser sincero, eu realmente quero saber qual a sua opinião e independente dela, eu vou continuar sendo sua fã. Beijos Lubixco e obrigada por ler minha história.
link dos prints confusos
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2020.06.01 01:26 altovaliriano Shae (Parte 1)

Uma prostituta aprende a ver o homem, não seu traje, caso contrário acaba morta numa viela.
(ACOK, Tyrion X)
A primeira vez que conhecemos Shae, ela já está fora da tenda de Tyrion, dividindo uma fogueira com Bronn, Podrick, um criado e um cavalariço.
Eu gosto de mencionar Podrick, o criado e o cavalariço, pois muito se fala sobre Bronn e Shae serem agentes de Tywin ou de outra pessoa, mas muito mais fácil que os informantes sejam estes servos a quem Tyrion não presta atenção nem tem qualquer relação especial. Shae trabalhar para outra pessoa é algo que abordarei ao longo do texto.
Retornando, quando Shae nos é apresentada percebemos o quão esperta a garota é. Sua primeira fala no livro já é uma demonstração de autonomia e articulação.
É ela? – perguntou a Bronn.
Ela se ergueu num movimento gracioso e olhou para ele, da majestosa altura de um metro e meio ou mais.
É, senhor, e ela pode falar por si mesma, se assim quiser.
(AGOT, Tyrion VIII)
Já sua segunda fala nos deixa claro que Shae tanto é ousada quanto divertida, capaz de entreter de Bronn a Tyrion.
Sou Tyrion, da Casa Lannister. Os homens chamam-me Duende.
Minha mãe chamou-me Shae. Os homens chamam-me… com frequência.
Bronn deu risada, e Tyrion teve de sorrir.
(AGOT, Tyrion VIII)
Mas esta troca de palavras inicial não serve apenas para que saibamos sobre as qualidades mentais de Shae. Em meio ao atrevimento e piadinhas espertas, temos os primeiros indícios que Shae já é uma prostituta experiente.
Mais tarde, em A Fúria dos Reis, saberemos que Shae contou a Tyrion que era abusada sexualmente pelo pai e que fugiu de casa. A forma trivial como o assunto é discutido entre Tyrion e Shae parece reforçar a ideia de que este passado trágico não é recente e que Shae já se prostitui há algum tempo.
Outro momento em que a experiência de Shae fica clara é quando a garota negocia seu futuro relacionamento com Tyrion. Primeiro, ela estabelece sem pudor que cobrará mais caro para se portar com sinceridade perante Tyrion:
O que me agradaria seria obter de você a verdade, garota.
Está bem, mas isso custará o dobro.
(AGOT, Tyrion VIII)
Para completar, quando Tyrion lhe propõe comprar sua fidelidade, Shae também aceita com naturalidade os termos do anão, sem barganhar ou ficar impressionada:
Sou um Lannister. Tenho ouro com fartura, e pode descobrir que sou generoso… Quero mais de você do que aquilo que tem entre as pernas, embora também queira isso. Partilhará a minha tenda, encherá meu copo de vinho, rirá dos meus gracejos, massageará as minhas pernas doloridas depois de cada dia de marcha… e quer se mantenha comigo durante um dia ou um ano, enquanto estivermos juntos, não levará nenhum outro homem para a sua cama.
É justo – ela estendeu a mão até a bainha do vestido de ráfia e tirou-o pela cabeça, num movimento suave, atirando-o para o lado. Por baixo, nada havia a não ser Shae. – Se não apoiar essa vela, meu senhor vai queimar os dedos.
(AGOT, Tyrion VIII)
O comportamento de Shae parece indicar que este tipo de relação não é novo para ela. Entretanto, é justamente nesse ponto que as aparências e circunstâncias da garota voltam a ser relevantes. Shae é achada seguindo um acampamento de guerra, usando um vestido de ráfia e seu cliente original era um cavaleiro de baixa patente:
Tirei-a de um cavaleiro. O homem estava relutante em desistir dela, mas o seu nome mudou um pouco a maneira dele de pensar… isso e o meu punhal em sua garganta.
Magnífico – disse secamente Tyrion, sacudindo as últimas gotas. – Acho que me lembro de ter dito encontre-me uma prostituta, e não me faça um inimigo.
Tyrion perguntou-lhe pelo homem de quem Bronn a tirara, e ela disse o nome de um servidor de um fidalgo insignificante.
(AGOT, Tyrion VIII)
Nós sequer podemos arguir que o cavaleiro poderia a ter enganado. Primeiro porque, como Shae diz na citação que inaugura este texto, uma prostituta esperta precisa enxergar o homem e não o traje dele. Em segundo lugar, por que a própria Shae admitiu saber que ele era uma pessoa insignificante:
Não é preciso temer homens como ele, senhor – disse Shae, com os dedos atarefados em seu membro. – É um homem pequeno.
(AGOT, Tyrion VIII)
Portanto, Shae não é uma cortesã ou alguém acostumado a luxos, como alguns leitores mais imaginativos cogitam. Na verdade, sua ousadia parece decorrer do instinto de sobrevivência de uma pessoa de ‘nascimento baixo’ e toda a sua esperteza não a impediu de ser nada mais do que a prostituta de um “homem pequeno” em um acampamento de guerra. Em outras palavras, Shae tirou a sorte grande quando foi escolhida para Tyrion. Ela não tinha nenhum grande plano na manga.
Mas, verdade seja dita, Shae deve ter feito o cálculo de custo-benefício antes mesmo de ter sido trazida à tenda de Tyrion. Afinal, o próprio Tyrion exigiu a Bronn que a prostituta que este arranjasse deveria ser avisada que seu cliente era um Lannister e um anão:
[…] Assegure-se de lhe dizer quem sou e a previna do que sou.” Jyck nem sempre se incomodara em fazer aquilo. Havia um olhar que as moças por vezes davam quando vislumbravam pela primeira vez o fidalgo a quem tinham sido contratadas para satisfazer… um olhar que Tyrion Lannister não queria ver nunca mais.
(AGOT, Tyrion VIII)
Então, quando Shae apareceu na vida de Tyrio, tudo que ela poderia esperar era acompanhá-lo durante o tempo da batalha. Shae não estava procurando agradá-lo mais do que isso. Tyrion a mantém em sua tenda, depois em seu quarto na Estalagem da Encruzilhada e somente na última linha de seu capítulo em A Guerra dos Tronos é que fala em levá-la a Porto Real.
Na verdade, do jeito como a conversa com Tywin se desenrola, fica parecendo que o próprio Tyrion não havia cogitado levar Shae consigo até que seu pai menciona isso:
Uma última coisa – disse ele da porta. – Não levará a prostituta para a corte.
Tyrion ficou sozinho na sala comum durante um longo tempo depois de o pai ir embora. Por fim, subiu os degraus até suas acolhedoras águas-furtadas sob a torre sineira. [...]
Tenho em mente levá-la para Porto Real, querida – sussurrou.
(AGOT, Tyrion X)
Uma vez que no capítulo anterior fica claro para Tyrion que o Tywin o pôs na esquerda do exército sem contar que pretendia deixar esse arregimento ser massacrado (a ponto de Tywin confessar isso), eu acredito que Tyrion só resolveu levar Shae a Porto Real como um insulto à ordem do pai e não porque necessariamente estava apaixonado pela garota.
Mas com isso não quero dizer que Tyrion já não projetava sua carência sobre Shae. Este tipo de coisa já estava sendo plantado por Martin desde a primeira noite do anão com ela. Tyrion já gostara da objetividade de Shae enquanto prostituta, de seu comportamento contraditório (espacialmente do sorriso que alternava entre (“tímido, insolente e malvado”) e de suas características físicas. Estas últimas eram as que tinham mais relação com seu amor perdido.
De fato, uma coisa notável é que Tyrion avalia Shae como “aparentemente com não mais de dezoito anos”. Portanto, jovem o suficiente para parecer um fantasma de sua relação adolescente com Tysha, mas não jovem a ponto de ser uma segunda Tysha na cabeça dele (que até o momento achava que Tysha era uma prostituta).
Por outro lado, inconscientemente, Tyrion denuncia ao leitor que sua primeira noite com Shae tem alguma forma de paralelismo com a experiência que teve com Tysha. Na estrada de altitude com Bronn, Lannister explica que a canção myresa “As Estações do Meu Amor” é para ele uma lembraça de seu amor perdido.
Então deveríamos cantar, para que fugissem aterrorizados – e começou a assobiar uma melodia […]. – Conhece esta canção? – perguntou.
Ouve-se aqui e ali, em estalagens e bordéis.
É de Myr. “As Estações do Meu Amor.” Doce e triste, se compreender as palavras. A primeira mulher com que me deitei costumava cantá-la, e nunca fui capaz de tirá-la da cabeça.
(AGOT, Tyrion VIII)
Não por coincidência, é esta canção que enche a cabeça de Tyrion após sua primeira noite com Shae.
Sentia a suavidade dos seios dela comprimidos contra seu braço. Era uma sensação boa. Uma canção encheu-lhe a cabeça. Suavemente, baixinho, pôs-se a assobiar.
Que é isso, senhor? – murmurou Shae contra seu corpo.
Nada – respondeu. – Uma canção que aprendi quando era rapaz, nada demais. Durma, querida.
(AGOT, Tyrion VIII)
Porém, por mais que seja irresistível ver nesse gesto de Tyrion um indício de que ele estaria, desde o primeiro encontro, Shae com Tysha, não sabemos se isto não é um reflexo de Tyrion com todas as prostitutas com que dorme. Martin, inclusive, nos brinda com uma informação que me passou batido em todas as minhas releituras até hoje:
Tyrion percebeu que precisava dela. Dela ou de alguém como ela. Já se passara quase um ano desde que dormira com uma mulher.
(AGOT, Tyrion VIII)
Segundo o que eu entendi, Tyrion estaria à procura de qualquer mulher como Shae, não ela em específico. E o fato de que estava há quase um ano sem ninguém pode ter aumentado a opressão de sua solidão, a ponto de ele começar a fantasiar enquanto se relacionava com a prostituta.
De toda forma, eu diria que a decisão de levar Shae como um insulto a uma ordem direta de Tywin acaba por se virar contra o próprio Tyrion. O tipo de governo que Tyrion imprime em Porto Real cada vez o deixa mais dependente de seus próprios homens e de sua prostituta.
Shae tornasse a única fonte de prazer e carinho de Tyrion e isso o leva a, aos poucos, se apaixonar por ela. E ela, como uma prostituta esperta, sabe disso, pois aprendeu “a ver o homem, não seu traje”.
Na próxima semana, haverá uma parte 2.

Perguntas

  1. Nós conhecemos depois ‘o cavaleiro de um fidalgo insignificante’ que estava com Shae? Ou o personagem era insignificante até para GRRM?
  2. Tywin tem mesmo um informante entre a criadagem de Tyrion ou o anão é que foi muito óbvio ao trazer Shae para dentro da Estalagem?
  3. Tywin sabia que, ao ordenar que Tyrion não levasse Shae para Porto Real, o anão faria exatamente o contrário?
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2020.05.27 14:29 RN118532 Por que o marxismo cultural existe e é o ópio dos evangélicos

Imagino que vocês já devem estar acostumados com esse tipo de post. Estou postando no reddit porque eu honestamente não sei onde mais postar e queria ver se alguém mais está sentindo o mesmo que eu. Nem sei como usar alt, então posto pela minha conta mesmo, que só uso para ver memes e coisas de jogos e séries que gosto e evito discussão política para o bem da minha sanidade.
Eu quero começar dizendo que sou evangélico, creio que a Bíblia é a palavra de Deus e que Jesus ressuscitou no terceiro dia. Para dar uma ideia, eu creio que os credos (Apostólico, Calcedônico, entre outros) são válidos, assim como os Solas da Reforma, apesar de não ser de igreja reformada, e as confissões de fé, como a confissão de fé batista de 1689. Eu faço questão de fazer essa introdução para dizer que sou o que muitos poderiam chamar de “fundamentalista”, mesmo que eu não goste muito do que o termo se tornou, e digo isso porque estou frustrado com a situação da igreja evangélica.
Eu cresci em lar evangélico e sempre tive uma vocação de carreira acadêmica, por isso sou pós-graduado. Achava que ia ser teólogo, mas acabei me formando em economia, o que é quase a mesma coisa. Por isso, desde cedo, estudei bastante teologia e lia muitos teólogos e filósofos conservadores; conhecia a obra de Olavo de Carvalho quando adolescente, acreditava que os não-cristãos esperavam o momento certo para usurpar tudo o que entendemos de civilização; tentei uma vez argumentar sobre marxismo com meu professor de história – mas sem ser maneira, por assim dizer, escrota, ele até que gostou quando eu mostrei uma refutação do marxismo que retirei de um livro de cosmovisão cristã.
Uma das coisas que esses filósofos conservadores de internet conseguem fazer bem é convencer a pessoa de que ele está em um grupo de “nós” contra “eles”, portanto fui exposto a essa retórica de marxismo cultural (nota: meus pais não têm nada a ver com isso, eu achei tudo sozinho, meu pai pode ser bolsonarista, mas ele nunca fez questão de falar nada disso comigo). Eu era bastante conservador no ensino médio, só que não demonstrava.
Continuei conservador quando fui para a faculdade, fazer economia, uma das disciplinas mais conservadoras que existem. Fui austríaco por um bom tempo, até ancap, mas deixei os ancap porque eles são insanos, mas continuei um austríaco mais moderado. Eu sei que existem diferenças fundamentais entre liberais e conservadores, mas a grande maioria deles no Brasil votam nas mesmas coisas, então é comum ver os dois juntos. Eu fui parando de acreditar que as doutrinas liberais de mercado livre são as melhores porque eu passei a ver as contradições e decidi que eles não estavam corretas, mas isso não vem ao caso neste post.
Eu quero dizer que se houver uma ditadura bolsonarista no Brasil, a igreja evangélica vai ser um dos seus principais pilares por causa da retórica do marxismo cultural. Essa retórica é como se fosse crack – o ópio dos cristãos, porque cria um inimigo conveniente demais aos cristãos, incluindo os evangélicos.
Mas você pode argumentar que “marxismo cultural” não existe, é uma invenção, é uma interpretação errada. Como todo o respeito, DÁ PARA FICAR QUIETO! O marxismo cultural existe na cabeça de milhões, dezenas de milhões de pessoa! Não importa se você acha que ele não existe, porque se ele não existisse, nós teríamos que criar ele e, notícia de última hora, ele já foi criado pelo Olavo de Carvalho e dos autores americanos que ele imita. Para os mais estudados, é um efeito performativo. Eu já vi até retiros espirituais cujo tema era estratégias de luta contra o marxismo cultural. Por exemplo, muitos cristãos ficam com medo de sair na rua em dia de Parada Gay, nesses cultos de domingo a igrejas têm lugares vagos, para ver o quanto essa retórica influencia.
A questão é que o marxismo cultural influencia tanta gente. Eles acreditam que a família está sobre ataque, que nas faculdades se ensina o ódio ao cristianismo e a tudo que ele representa, que eles querem forçar as igrejas evangélicas a fazerem casamentos gays. Não somente isso, mas essa atitude também está por trás do aumento da criminalidade (porque a desestruturação social causada pela mudança de estrutura de produção não vem ao caso). Não podem acreditar que é algo decentralizado, então eles acreditam que deve haver um grupo secreto que está construindo a Nova Ordem Mundial, controlado por satanás, que está usando tudo para fazer com que isso ocorra.
Por isso que o Bolsonaro é um herói para eles. Ele vai guiar o povo brasileiro na luta contra essas forças do mal, com disciplina militar. Eles acreditam que o crescimento evangélico ocorreu por causa das condições criadas pela ditadura militar e parecem achar que se houver uma nova talvez possa crescer ainda mais.
Mas, não, a esquerda quer destruir o mundo por motivo nenhum, a não ser por causa da maldade do coração deles. O que o pessoal do “marxismo cultural não existe” parece não perceber é que, quando você tem um inimigo poderoso demais, o vale-tudo impera. Na faculdade estudei incentivos. Se os protestos contra a quarentena fossem só protestos, seria menos ruim. Mas quantas vezes nós vimos buzinaço na frente de hospitais, ataques a profissionais da saúde, aquele acampamento até com armas? Eles dizem que é para se defender, mas defender de quem? Desses “marxistas culturais” é claro.
Contra um inimigo tão poderoso, o caráter se torna prescindível. Truculência é justificada por valores superiores, como os da família. Numa crítica à apatia da igreja, um pastor falou num culto que eu estava: como é que um país com 30% de evangélicos tem 60 mil assassinatos por ano? Com a presença da retórica do marxismo cultural você não precisa fazer essa pergunta. Essa é também a estratégia para ignorar os problemas sociais, jogando o fardo pra cima da pessoa e é no fundo dizer “não é problema meu” – como disse Caim, “sou eu guardador do meu irmão?”
Um dos fatores que me fez abandonar o conservadorismo, além da esterilidade, foi que não existe autocrítica – olhe o Bolsonaro, quando ele é encurralado, ele dobra no que ele fala porque a cada desculpa que ele pede, ele perde 50 mil eleitores. Eles amam a arrogância do Bolsonaro porque o conservadorismo tornou a arrogância em uma virtude, humildade é bom nos outros. Com isso, eles elegem líderes que parecem consigo mesmos, pois eles não podem admitir que a esquerda pode não estar nem completamente errada. O marxismo cultural se torna o bode expiatório perfeito, porque a fonte de virtude é a luta contra essa ideologia demoníaca ao invés de procurar melhorar a si mesmos.
Em muitas igrejas, os pastores reclamam nos cultos que muitos jovens abandonam a fé quando vão para a faculdade, e novamente atribuem a essa influência demoníaca. Parece que não passa pela cabeça deles que eles demonizaram os não-cristãos por anos e, quando eles começaram a ver como os outros pensam, viram que não é bem assim. A mesma coisa com a mídia, a maioria esmagadora dos filmes cristãos são lixo, só server para passar a mão na cabeça do crente, mas é a única representação que a comunidade evangélica tem de si.
No fim, eu tenho que admitir que muitos evangélicos que se identificam com ideias de esquerda ou que não seguem a cartilha à risca (para incluir alguns cristãos de direita que percebem os problemas dessa abordagem) são desprezados. Eu fui quando tentei falar disso, um ex-pastor meu começou a me ignorar e a falar de Cuba aquilo, Cuba isso, como se meus doze anos estudando economia não valessem nada. Uma das razões pelas quais eu entrei pro curso de economia era que eu queria produzir algo voltado para Deus, discutir questões econômicas e religiosas, para contribuir para a igreja. Mas, hoje, eu sinto que a igreja quer ouvir coisas que a agrade, que siga a cartilha da retórica do marxismo cultural, e eu não posso produzir isso sem peso na consciência. Hoje em dia eu tento ser pluralista, não sou um economista ortodoxo (provavelmente nem sou economista), tento ler intelectuais sérios de direita como Charles Taylor e Russel Kirk (quem diria que é possível criar uma ideologia conservadora sem marxismo cultural?), mas ainda fica aquele desgosto. Tipo quando vejo o Emir Sader ou qualquer que seja o filósofo cabelo arco-íris de twitter falando besteira, eu posso rir deles de quão errados eles estão (eu tenho Tumblr, eu sei que essa corja existe), mas quando vejo o Olavo e seus asseclas só fico frustrado. Eles não conseguem entender que essas ideologias de esquerda existem porque, como disse um cardeal, a igreja fracassou.
Vejam os resultados: no tratamento da pandemia, enquanto que os países que confiaram em cientistas já estão abrindo, os países com governos de direita são os que mais se atrasam – Rússia (suicidaram médicos que tentavam falar do problema), EUA (passando dos 100 mil mortos), Hungria (ditadura praticamente proclamada – porém eu vi que o judiciário ainda está lutando contra), e agora Brasil com uma pessoa sem caráter nenhum no poder, igualmente cercada de outras pessoas sem caráter nenhum, e essa falta de caráter não é problema para a igreja evangélica e outros conservadores. É como se o coração deles tivesse endurecido e, se vocês se lembram da história de Moisés e faraó, vocês sabem o que acontecem quando isso ocorre.
E depois, quando você aponta isso, eles falam “ah, mas a esquerda faz isso e isso”. Dá para perguntar porque eles têm tanta inveja dessa capacidade da esquerda de sair impune? Sou um esquerdista horroroso, a saber. A teologia da libertação, por exemplo, nem sei se acredita em Deus, me parece uma série de comentários seculares com roupagem religiosa, enquanto que a teologia liberal definitivamente não crê em Deus – Bultmann acreditava em um troço, mas até o monstro espaguete voador é um deus mais interessante do que qualquer coisa que Bultmann acreditava. Posso falar sobre outros assuntos que toquei nesse post, mas me foquei nesse. Enquanto isso, quem dera se o problema fosse apatia.
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2020.05.25 22:55 GreenDayTodayEver Talvez um pedaço da minha história ajude alguém

Galera, há um tempo eu queria escrever uma série de conselhos que desenvolvi durante a vida, em episódios que vivi. Hoje com quase 40, bem casado, posso talvez dar algumas dicas. Me machuquei muito na vida, mas a vida começou mudar quando entendi certas coisas e principalmente quando comecei a me importar mais com as pessoas sem querer nada em troca.
1 - Ache a sua turma e entenda: vc pertence a ela
Quando eu era criança, sofria bullying na escola, todos meus amigos me chamavam de gordinho, eu não ligava e mostrava o dedo do meio para eles. Era ruim de futebol, mas mesmo assim me enturmava com outra galerinha que gostava de mim, que tinha gostos parecidos e foda-se o resto. Sim. Isso machucava porque as pessoas que eu pensava que eram bacanas, não eram.
2 - As expectativas podem te machucar muito
Sempre fui feio. Para falar a verdade, horrível. Até hoje me olho no espelho e falo: cara como tu é feio pra kct e pergunto para a minha mulher: como vc foi gostar de mim assim? Ela ri e me acha o cara mais lindo do mundo, e isso que me importa. E ela é a mais linda para mim e acabou.
Mas curiosamente eu levei diversos foras quando adolescente. Lembro até hoje quando me apaixonei por uma garota e ela me disse exatamente assim: Cara vc é feio pra caramba, vc só sabe tocar guitarra (eu tinha uns 17) vc acha que será alguém na vida? Eu fiquei sem dizer nada, enfiei a viola no saco, como diz o ditado popular e fui embora para casa chorando que nem um bobo com uma roupa nova da bad boy que tinha acabado de comprar com minha mesada e meses que guardei grana para um Rebook Pump só para ficar bonitão e me declarar para ela. (Edit com esse detalhe)
3 - Cuidado com as pessoas que te humilham por vc ser pobre (ser pobre não é para sempre)
Na cidade pequena onde nasci, eu frequentava uma igreja medíocre que existe até hoje, que tinha pessoas "ricas" da cidade. Até hoje, continua a mesma bosta. Não sabem o que é amor ao próximo e continuam "seletivos". Pessoas daquela "casta" sempre humilharam os mais pobres e classe média. Isso incluiu minha família e eu. Não era pobre necessitado na época, mas minha família era de classe média. Meus colegas viviam dizendo que iam para a Disney etc e contavam e contavam como era lá e me traziam um lápis com uma borracha só, mas eu ficava com vontade... Eu não podia ir, meus pais não tinham como pagar, era tempo de vacas magras e, como se não bastasse, tinham falido.
Todos sem exceção tiravam sarro e me humilhavam de graça. Tinha 1 ou 2 amigos de verdade naquela época dentro daquela MERDA DE IGREJA. Hoje eu sei a REAL definição de igreja. Depois no final vcs entenderão.
4 - Não seja o bobo que compartilha conhecimento de graça
Descobri uma grande vantagem no ensino médio: por conta dos meus problemas eu era vagabundo para estudar mas inteligente. Então, percebia que as menininhas bonitinhas e os carinhas populares queriam material de aula para "copiar" minhas notas de aula, exercícios, tiravam dúvidas. Eu não perdoava, mandava a merda e não compartilhava, porque como adolescente, eu via meu pai falar de sucesso, de coisas que vc deve ou não compartilhar e que as pessoas vem sorrindo para geralmente pedir. Me tornei um cara amargo mas ainda inexperiente na vida e as vezes até imbecil no trato com as pessoas. Só não queria me machucar mais.
5 - Seja o melhor. Sempre há tempo. Mas não humilhe ninguém.
Quando entrei na faculdade decidi que a vagabundagem iria me deixar. Conquistei 5 amigos que eram fodas. A gente era a elite da turma no sentido do conhecimento. Não perdoávamos as outras panelas. Nós éramos os Ramones da computação hahahaha. A gente era foda. Só tirávamos notas fodas. Eu tinha amigos DE VERDADE, perdi dois por câncer já. Uma pena, mas, a gente mostrava que estava ali para estudar. Eu era feio, mas as meninas me amavam porque eu era foda. Eu era inteligente, só tirava 8, 9 e 10. Não me formei com nenhum 5, não tive uma DP e fiquei em exame só uma vez numa baita universidade. Mas minha tristeza com as decepções do passado da adolescência me fizeram ficar esperto com as mulheres.
Tratava todos bem. Ajudava a galera e quanto mais ajudava, eu não sei exatamente o que acontecia mas as coisas davam certo para mim. Ajudava todos.TODOS sem exceção e me tornei menos amargo e mais altruísta. Meu apelido entre os maldosos era o bom samaritano, porque os caras falavam: lá vem o crente que não vai em baladas e é mala. Mas não ficava falando de evangelho nada disso. mas minha vida era levada a sério. Só. Eles percebiam que eu estava ali para tentar mudar de vida e não para perder tempo.
6 - Não tenha vergonha de quem vc é
Eu tinha arrumado um estágio no segundo ano da faculdade já. Mas eu teria que ir de carro ... falei para meu pai: e agora pai? fodeu? Eu era quebrado... ele comprou um corcel 2 para mim, velho. Todo ferrado. Demos uma reformada no bicho mais ou menos porque meu pai não tinha dinheiro para comprar um carro melhor. Eu chegava para estudar no inverno de corcelzão vermelho hahahahaha com insulfilme g5 (única coisa que eu tive grana para colocar para não pegar sol na cara) e um rádio pionerr que um amigo da faculdade me deu... e parava ao lado do carro do meu melhor amigo que tinha uma caminhonete da Dodge vermelha que dava para comprar uns 20 carros iguais o meu. E esse cara, grande amigo meu, foi um anjo que Deus colocou na minha vida. Ele falava assim: cara, vc é demais cara, vc é o irmão que não tive, cara vc é foda, vem de corcel todo dia, pega pista, porra cara vc é corajoso (tudo era necessidade) e ele era bom de coração demais para mim.
A gente fazia nossos churras, eu me lembro uma vez que cheguei em um dia de inverno tom o vidro aberto, ouvindo Ramones dentro do corcel ahahahahah e a galera ficava hahahahaha tipo: porra quem é esse cara idiota, nossa que besta, de corcel aqui na faculdade? Credo... essa faculdade tá perdendo o nível.
7 - As oportunidades certas na hora certa
No segundo ano da faculdade, conheci minha esposa! claro tínhamos só 20 anos hahahaha. Minhas notas melhoraram ela me jogou para cima. Foi a melhor coisa que me aconteceu. Conheci ela e começamos a namorar. A minha vida ficou boa e eu estava assim meio ansioso, mas, deixei a vida rolar. Resumo? hoje estamos há 18 anos juntos :-) hahahahahah lembro até hoje quando ela pegou na minha mão dentro do corcel e falou: vc é tão gatinho e inteligente hahahahah (gente eu sou mais feio que o corcel hahahaha), mas, foi assim demais e lembro de cada detalhe.
Conselho: não tenha medo, as coisas acontecem na hora certa. Acredite.
8 - Sendo correto, tudo dá certo
Eu e meus amigos não colamos durante a graduação inteira. Nunca.
Foi tudo uma beleza, todos nós nos formamos! Todos nós demos certo na vida. Todos nós queríamos o bem das pessoas, todos nós estamos casados com as namoradas que conhecemos na época de faculdade e todos nós tivemos ou temos empresa, todos nós JÁ PASSAMOS POR MUITO SUFOCO (nem tudo foi fácil). Um dos meus amigos foi assaltado, tomou um tiro e está vivo. É... galera... vários sufocos.
Com exceção de 2 que tiveram câncer que infelizmente fazem falta pra caramba para nós. O resto está bem, a gente se apoia a gente se importa e a gente sempre faz o bem a quem puder.
9 - Não ligue o foda-se em situação nenhuma - importe-se
Eu mudei bastante minha personalidade por conta dos traumas de infância e passei a querer o bem de todo mundo sem nada em troca e sem medo de me machucar. Porque entendi: pessoas que vem para nos causar mal, estão causando mal a si mesmas. Eu vi muito cara da cidade onde nasci passar necessidades e era o popular da escola, o bonzão. Uma pena. A vida muda, a vida escolhe quem presentear.
Passamos perrengues juntos. Perdemos pessoas queridas, mas éramos fodas juntos. Um ajudava o outro, estávamos ali. Ninguém abandonava ninguém. Até hoje, somos confidentes. Uns estão melhor que outros financeiramente (mas nós mesmos sabemos que isso não importa porque ninguém mudou), mas somos todos iguais e nos ajudamos sempre. Já teve um amigo nosso que perdeu emprego agora na quarentena e estamos sustentando ele e a família. É isso que somos. Unidos, uma família de verdade.
10 - Seja você e tenha seus amigos como Porto Seguro
Seja você. Se vc quer usar jaqueta do Ramones ao invés de dobrar a manga da camiseta porque está na moda para os homens, use a jaqueta. Esqueça a moda se não se importa. Seja você. As pessoas gostarão de vc pela sua autenticidade, pela seu jeito de viver. Por vc ser você! Aproxime-se de quem gosta de vc. Essas pessoas serão um porto seguro. Porque vc será autentico confiável e principalmente AMIGO. não quele coleguinha sem conversas profundas, sem conselhos e sem se importar. Nossa eu tenho tantos coleguinhas galera... é um porre... o cara dá bom dia reclama da vida, quando acontece uma coisa boa na vida dele ele não te conta. hahahahaha. Coleguinhas que querem só encher seu saco e acham que vc é uma cesta de lixo. Coisa boa não conta, mas desgraça é todo dia. É um porre.
Ame quem te ama! Procure amar as pessoas também e desenvolver laços de amizades verdadeiros. Isso demora anos, mas vale a pena.
Continuo sendo cristão, mas não naquela igreja seletiva e podre. Numa igreja que realmente faz a diferença. Todos eles Continuam com suas religiões, mas isso não importa porque nos respeitamos e somos muito amigos. Porque a amizade é verdadeira e nos importamos e convivemos bem com nossas diferenças.
Finalmente...
Enfim galera, espero que essa experiência tenha motivado vc a ser uma pessoa humana, que tenha um grupo de amigos e que se importe. Que vc não se sinta menor por conta das suas dificuldades, ou se "está pobre" vc não é pobre, vc está pobre, mas isso não é para sempre. Tenha o grupo CERTO de amigos e pessoas que gostam de vc e vc não precisará buscar "aceitação" de ninguém. Existe muita gente boa no mundo galera! Minha vida até os 18 foi uma bosta. Mas, da faculdade em diante graças a Deus muita coisa mudou! Mas eu mudei também, larguei a tristeza e parti em direção ao: fazer, ser, se importar, fazer o bem e não ligar para quem nos faz mal e pronto!
Espero ter ajudado.
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2020.05.01 03:25 biasann O caminho difícil pra chegar nos meus sonhos

Oi, sou nova aqui.. Não sei bem como mexe nesse app, mas vi esse grupo e muita gente desabafa aqui, então resolvi compartilhar com vocês o que eu ando passando. Para alguns pode ser algo idiota, (até porque existem pessoas que lidam com problemas reais, depressão, pobreza, doenças, etc) mas para mim anda sendo o que me aflige todos os dias.
Eu desde nova sempre fui muito criativa, fazia desenhos incríveis, aprendia qualquer matéria com muita facilidade, tudo o que eu fazia era bem feito. Você já estudou com alguma uma menina no fundamental que tinha toda cor de caneta colorida? Então essa era eu. Caderno sempre impecável. Aos 8 anos meus pais se separaram. Eu fui morar com minha mãe, somente eu e ela, via meu pai a cada 2, ou 3 anos mais ou menos.. Morava em Uberlandia-MG, mas como minha mãe achava muito perigosa a cidade para criar uma filha sozinha nos mudamos para uma cidade pequena de Goiás.
Me mudei aos 11 anos, isso em 2010, e comecei uma vida nova. Estava no 7° ano (era adiantada, pq já morei fora do país). E aconteceu que acabei repetindo de série. -Já não era mais adiantada! ☹️- Quando consegui passar para o 8° .... Repito.. Outra vez. E a mesma coisa se passou no 9°. Resumindo: Eu bombava uma vez, passava, bombava, passava. Bombei 3x.
A partir do momento em cheguei nessa cidade, perdi o interesse em estudar.Juntamente com o desinteresse vinha a loucura da puberdade..Aos 14 aprontei mais do que uma adolescente poderia aprontar. (Aprontar no sentido de: beijar muito, pular muro, ir em muitas festas, dar Pt, ser falsa, xingar a mãe, voltar de madrugada, usar drogas)
No final dos meus 16 anos conheci um homem, 10 anos mais velho que eu (inclusive era meu Sensei (prof de karatê) rsrs) e namoro com ele até hoje. Ele me fez mudar, evoluir, amadurecer e me ajudar a tornar a pessoa que sou hoje. Teve um ano ou outro que eu estava super focada em estudar e era uma das melhores da classe. 2018 terminei o 3° ano. Nesse ano fiz prova do Encceja (pra terminar estudos), bombei na redação então tinha que ir na escola para fazer as matérias de linguagens. Foi o melhor ano! Aprontei o ano todo, ficava atoa na sala de aula. (Aprontei no sentido de fazer muita bagunça e beber dentro da sala, lembrando que eu estava namorando).
Mas aí veio 2019. MEU DEUS! O QUE EU FAÇO AGORA???
Passei no vestibular para Letras-Português e Espanhol. (Faculdade 100% online)
-Gosto muito de Espanhol, como morei na Espanha quando era pequena sou fluente, então gostaria muito de trabalhar com algo que fez parte da minha vida. Meu sonho também é aprender inglês, japonês e coreano. Também escolhi essa faculdade porque na minha cidade, como é pequena, não possui muitos professores de Espanhol, sempre está em falta. -
Você deve pensar: ah, perfeito então, só estudar e já era! ✨😍
Só que não. Quem disse que consigo estudar? Disse mais cedo que meu namorado mudou minha vida, me fez ser uma pessoa melhor. Mas mesmo com ele não consegui recuperar a vontade de ser alguém que eu tinha quando criança. 2019 foi um ano desperdiçado, eu comecei a primeira matéria (Educação Inclusiva) muito empolgada, estudei, fiz a prova, passei, tirei nota super alta. Mas no final do semestre eu tinha que fazer um trabalho (super simples, com introdução, des e conclusão) e por não fazer acabei bombando no semestre inteiro.
No segundo semestre eu entrei em um app que contrata profissionais para fazerem trabalhos e paguei um para fazer. Porém, eu não tinha realizado as atividades online do segundo semestre, então não adiantou passar no semestre, né?
2020 chegou e estou no terceiro semestre. Matérias acumuladas, eu pago 230 por mês nessa faculdade que eu consigo desperdiçar todos os dias 😔 As matérias acumularam e estou pagando mais R$ 100 todo mês para repor. + Dinheiro desperdiçado né??
Todo dia é uma luta EU vs EUZINHA para eu colocar na minha cabeça que tenho que estudar. Eu entro no ambiente Virtual, olho, mas não tenho a CORAGEM de tirar algumas horas para estudar. Lembrando que: MINHA FACULDADE É SUPER FÁCIL! apenas um trabalho por semestre, 1 prova por mês e algumas atividades e vídeo aulas pra ver e realizar.
Me pego pensando as vezes, porque é tão difícil pra mim, porque não consigo realizar meu sonho? Porque eu sou tão descrente? Porque sou tão inútil ao ponto de não conseguir fazer uma faculdade tão fácil?? Eu queria essa coragem que as pessoas tem para estudar o tempo todo. Eu tenho objetivos, planos, mas não consigo realizá-los. Queria voltar a ser aquela criança criativa. Não quero colocar a culpa em alguém, não é justo. Mas penso as vezes que nunca tive pessoas para me incentivar.
Você deve pensar: "Ah, mas vc viajou para fora do país, como ngm te incentivou? Viaja pra fora do país quem tem dinheiro, quem conquistou coisas" -é aií que se engana! Na verdade não sei de onde meu pai tirou dinheiro na época para viajar. Meu pai era apenas((não no sentido de menosprezar a profissão, ok?! No sentido de ganhar pouco!))um lanterneiro, foi comprando uns carros usados, reformando e juntando dinheiro. Com a ajuda da irmã dele fomos morar na Espanha durante 2 anos e meio.
Estou há meia hora escrevendo, não sei se alguém irá ler até aqui, mas enfim, agora mesmo preciso fazer o trabalho do 3° semestre, para o dia 16, mas quem disse que consigo? Compro cadernos, marca textos para me incentivar, porém não sai nada. Parece que meus sonhos estão cada dia mais longes, porque a pessoa aqui não consegue vencer um simples obstáculo.
Admiro você, que tem objetivos em mente e não desvia do caminho. Eu cada dia me sinto mais uma perdedora. Sem contar que minha memória é péssima, não sei se é por conta da maconha, das pingas ou de falta de treino de cérebro mesmo. Obrigada por ler até aqui, escrevi isso e desabafando me sinto melhor.
Irei tentar ser alguém melhor para mim. Aliás, "tentar" NÃO. Eu irei conseguir.
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2020.04.17 06:57 VoxelRiot Eis outro exemplar.

Alguma alma caridosa que faça o favor de ler? Se tiverem interessado em mais, isto é apenas o capitulo 4. Tenho 10, com dois deles incompletos.
Peço desculpa pela formatação de merda, mas a culpa é do reddit. Se tiverem interessados em mais, eu mostro o resto em troco de opiniões.
Longínquo vai o tempo das novidades. Quando Iluz passeava com Jillia pelo braço nas ruas de Arge. Falavam com os comerciantes para ouvir de terras distantes, ou viam com olhos brilhantes os espetáculos dos saltimbancos.
Iluz preocupava-se em ajustar os músculos ao tamanho da roupa e aparar a barba diariamente. Fazia jus ao estereótipo do Biomancer atraente.
Todos os dias chegava a casa perante um sorriso e lanche. Com roupa de pano branca acastanhada ao tom da terra, e suor a escorrer pela careca. Jillia por sua vez, lia sobre herbanária para melhorar Biomancy e fazia chá com o que aprendia.
Ah, ela era e é tão bela. O cheiro a rosas que espalha pela casa. O cabelo apanhado brilha à luz das velas. Figura esculpida nas brasas a dançar no vento. Pele casca de noz temperada pelo libido.
O melhor período da vida, veio depois de receber o bebé embrulhado em azul. A cor extinta que vale fortunas. A velha prometeu e cumpriu com cinquenta mil Celestes ano até aos dezoito. E assim construíram a quinta.
Jillia dançava e cantava com o bebé nos braços ao estender a roupa pelos frescos pastos. Iluz imaginava a mesma melodia para seus futuros filhos. Acordava embalado pelo sonho duma grande família. Mas tudo mudou com o requerimento militar.
Iluz franze os olhos ao pensar no assunto. Voltou coberto pela cicatriz gigante. Ela começa no abdómen e espalha-se pelo corpo como um ramo de oliveira. Os únicos que sabem da sua origem, são os antigos colegas de exércitos, porém também desprezam esses tempos.
Hoje, a deixar de ser quarentão, não liga a mexericos e caprichos na aldeia. Caminha pelas ruas de Arge a tentar passar despercebido no meio da multidão. Preso no silêncio da mente a sofrer de antecipação das burocracias do dia seguinte.
Os dias são todos iguais. Mesma terra castanha com raízes soltas pelas ruas. Mesmas casas de madeira com as mesmas pessoas à porta. Todas vestidas com os mesmos panos brancos com a mesma conversa. O vento que guia as nuvens é o mesmo que passa na careca e avisa do inverno. As únicas experiências novas pela frente são responsabilidades.
E para se livrar delas, Iluz entra na taberna. Cheia de pessoas, mas vazia de companhia. Abriu há minutos e os amigos estão por chegar. Então para fazer tempo, chega ao balcão, cumprimenta o taberneiro e pede um copo de bagaço.
Primeiro copo do dia. Já é tradição bebê-lo sozinho com as costas no balcão e olhos ambulantes. Passam de mesa a mesa, todas elas de madeira antiga cheias de falhas e inscrições feitas com navalhas… Com as mesmas pessoas e o mesmo barulho de fundo… Iluz solta o mesmo suspiro do costume.
Final da tarde e o pôr-do-sol já não ilumina a taberna. O taberneiro movimenta-se entre as mesas a acender as velas presas nos pilares de madeira. Talous, o bardo Cybermancer local, recebe o sinal para começar a cantar.
Iluz revira os olhos. Não é grande fã do bardo. Acha tudo nele ridículo. Tudo. Os collants vermelhos e o fato de seda verde com suspensórios violeta. A boina amarela que parece uma omelete descaída. E pior, os quatro amplificadores espetados na cara. Dois por cima de cada sobrancelha, como se precisasse deles para as prender.
Contudo, apesar da aparência do bardo, a curiosidade vence e ouve-o a cantar. As notícias que repudia são das poucas novidades do dia.
Talous canta um soneto.
‘’Dormia descansada Gertra Torsket
Mas acordou pouco após as sete
Com uma dor pior que uma machete
Iria nascer o novo bebé Torsket
General Bupson estava contente
por finalmente ver a semente.
Nove meses de espera dementes
para do terceiro ser parente.
Mas a intensa dor prevaleceu
E assim a bela Gertra concedeu.
Foi hoje de manhã que faleceu
Meus pêsames ao General Torsket
Muito Obrigado aos aqui presentes
Aceito pagamento em Celestes’’
Talous dá uma pirueta pelo ar, faz uma vénia e extende a boina ao homem mais próximo.
O homem abana a cabeça e mostra-lhe as costa.
Iluz leva a mão ao rosto para lavar o constrangimento. Porque é que ainda gasto tempo com bardos... Quero lá saber do que se passa na outra ponta da ilha... Pensa Iluz ao pousar o copo vazio.
Talous é um Cybermancer, por isso comunica com outros como ele à distância. Como existem vários espalhados pelo mundo com amplificadores, tem uma rede onde a informação circula instantaneamente.
Iluz não compreende a utilidade deles. Afinal, para quê falar com desconhecidos distantes, quando é melhor dar novidades a beber copos. E pior! O despudorado anda com aquelas atrocidades na cara! Iluz nunca deixaria alguém furar-lhe a cara de livre vontade.
O bater da porta na parede chama a atenção de Iluz. Duher e Ubin chegaram, ainda vestidos com o uniforme de guarda. Uma camisola verde, calças de pele e um casaco castanhos com tecido negro de Needlemancy cosido nas mangas.
''São três copos! Do bagaço mais forte que houver!'' - Diz Iluz ao meter dez Celestes no balcão.
’Ele quis dizer seis!’’ - Grita Ubin ao colocar as suas mãos, carnudas como chouriço nos ombros de Iluz. Hoje está alegre como quem descobre cinquenta Celestes no bolso. - ‘’Iluz seu espectro mal amado! Adivinha o que me aconteceu hoje!’’
‘’O quê?’’
‘’Fui promovido a Sargento! Para a semana estou em Serilena!’’ - Ubin sorri. - ‘’Abençoados sejam os bandidos que lhes tem dado problemas!’’
Ubin é Biomancer como Iluz, porém especializado em humanos. É o único dos três amigos na casa dos cinquenta. Mas com a aparência de trinta e cinco e corpulento como um boi. A barba é aparada à definição do queixo e o cabelo negro aprumado como nobreza.
Será um bom sargento. Tem a cara áspera e desgastada com sobrancelhas a engolir os olhos. Quando desconhecidos no exército, Iluz lembra-se de sentir como ser uma criança perto do pai mal humorado. São poucos com quem partilha o riso.
‘’Parabéns seu filho dum espectro!’’ - Iluz coloca os braços à volta de Ubin e puxa-lhe a cabeça para junto da sua.
Duher, contudo, morde o lábio e debruça no balcão. Puxa dum copo e dá um gole comprido. Fica com bagaço no bigode já mais cinzento que preto.
''Nunca vou perceber porque usam os espectros como insulto para tudo.'' – Diz Duher a deambular o copo como um badalo. - ''Se soubessem o que é andar a vida toda à procura dum...''
‘’Sim Duher... Porquê é que os bichos que chupam sangue e trazem azar são usados como insultos.’’ - Ironiza Iluz ao esvaziar o copo. - ‘’Pelo menos vocês Kuniks podem ter rebanhos de filhos!’’
‘’'E os Mancers têm tudo, sem ter que fazer nada!’’ - Diz Duher ao emborcar o resto do copo. Tem olheiras negras atrás duma fina franja esbranquiçada.
‘’Calem-se e bebam! Hoje o dia é para festejar!’’ – Diz Ubin a pegar nos copos no balcão e a colocá-los nas mãos de Iluz e Duher. Iluz nunca percebeu porque os espectros são tabu para Duher. É mais provável um Kunik ir da pobreza à riqueza em Serilena, que ser escolhido por espectros. Aliás, para quê ter coisas conscientes a segui-lo? Para Iluz, o principal benefício deles é a facilidade de reprodução.
Iluz passaria fome por Rahel. Mas inveja os oito filhos de Duher. Imaginava-se a ficar velho na quinta com meia dúzia de pequenos Iluzes e Jillias. Contudo, Mancers têm baixa taxa reprodutiva e nunca conseguiram mais.
Mas está feliz com Jillia. Apesar de só ter uma filha, tem a certeza que vai herdar Biomancy. Se Iluz tivesse casado com uma Kunik, teria mais filhos. No entanto, cada teria as mesmas hipóteses de ser Kunik ou Biomancer.
Pensamentos na quinta fazem Iluz debruçar sobre o balcão. Duher ao reparar em Iluz, coloca de parte a discussão mete-lhe as mãos nas costas. - ''Então o que é que se passa?''
‘’Aquele gaiato estúpido…’’
‘’O que é que ele fez desta vez?’’ - Pergunta Ubin a encostar ao balcão.
‘’Deixou de ser gaiato…’’ - Iluz vinca as unhas na mesa ao cerrar o punho. - ‘’Já fez os dezoito e vou deixar de receber os Celestes…’’
‘’Então já o podes expulsar! Como já queres fazer há anos.’’ - Diz Duher.
‘’De manhã discuti com a Jillia sobre isso. Ela não o quer expulsar. Para ela, é tanto filho como a Rahel.’’ - Iluz emborca o resto do copo. - ‘’Mais três copos!’’
O taberneiro a encher os copos preenche o silêncio dos amigos sem saber o que dizer.
‘’Eu bem tento ignorá-lo. Eu tento esquecer que é um Electromancer…’’ - Iluz agarra no copo que o taberneiro mete no balcão. - ‘’Mas escolher apatia não faz desaparecer a raiva e o ódio.’’. - Iluz dá um gole e aperta o copo metálico. O bagaço derrama sobre a mão.
''Estes três vamos bebê-los duma vez'' - Diz Ubin a elevar o copo. Tenta mudar de assunto. - ''Bem estás a precisar.''
Iluz e Duher levantam os copos e dão o brinde. Depressa vai à boca e num gole desaparece. Os três copo batem no balcão simultaneamente enquanto recuperam o fôlego com caras distorcidas.
Ubin sorri da promoção. Duher sorri por ser o mais franzino. Iluz sorri ao apertar mais o copo. Os cantos frios e afiados do metal amolgado cortam a pele. Prazer como tocar em metal fresco em dia quente.
‘’Odeio aquele gaiato... Que sufoque num espectro!’’ – Diz Iluz ao destruir o copo.
''Mais três copos!'' - Diz Duher ao taberneiro. Franze o olhar e tenta ignorar o comentário dos espectros.
‘’Cada vez que vejo aquela cara. Com aquele sorriso estúpido só me lembro disto.’’ - Iluz aponta as cicatrizes na cara, com o dedo estremecer com a voz. - ‘’Aquela noite.’’
‘’Não penses nisso! Pensa que por causa do exército agora estamos aqui os três juntos.’’ - Diz Ubin a levantar o copo para outro brinde. - ‘’Vá bebe mais outro que já te começas a sentir melhor!’’
Iluz não espera pelo taberneiro e rouba-lhe o copo da mão. Este gesto e o copo estragado, normalmente levaria é expulsão. Porém o taberneiro não quer perder o melhor cliente.
Iluz nem pede desculpas. Ergue o copo e espera que se juntem ao brinde. Em segundos desaparece outra rodada e assim continuam até á hora de jantar.
Iluz sai da latrina e retorna aos amigos. No regresso pisa metade dos pés na taberna e zanga-se com cinco desastrados que foram contra ele. Os seus braços ganharam a flexibilidade da cauda duma vaca e o campo de visão caiu para metade. Mas Iluz consegue achar Ubin e Duher, quase a dormir de cabeça encostada ao balcão.
''Adorvos mastenho dir pacasa...'' - Murmura Iluz e volta para trás sem despedida.
No caminho até á porta da taberna, Iluz pisa os restantes pés e empurra uma cadeira. Espectros! A mobília não tem cuidado ou educação! Não param de ir contra ele.
Sai da taberna ao anoitecer. Mas está preparado para voltar à quinta. Confiante. Começa a caminhada e tudo corre bem. Até que se farta. Por mais que caminhe, nunca mais chega. Ainda está nas portas da aldeia e sente que está a andar há mais de meia hora.
Ele sabe que está a deambular entre casas. Mas não há justificação para demorar tanto. Então tem uma ideia genial!
Iluz vai tentar usar Biomancy para ficar sóbrio e chegar a casa depressa. Um plano infalível. Nem sabe porque nunca pensou nisso antes. No dia seguinte quando contar a Ubin vai parecer um verdadeiro génio.
Contudo, não acontece nada do que espera. O corpo pulsa sem controlo. Os membros começam a ficar musculados, gordos e magrinhos simultaneamente em zonas distintas. A camisola rasgasse no abdómen e solta a barriga gorda que rapidamente se transforma em abdominais e vice-versa.
Mas de certa maneira funciona. Iluz fica um pouco mais sóbrio ao sentir o corpo a pulsar. No entanto, Iluz perde o equilíbrio. Inclina-se contra uma árvore e agarra o tronco para estabilizar a transformação. Porém, as dores de fome fazem-no desistir e ficar encostado à árvore. O corpo pára de transformar e fica desproporcional.
O braço direito tem os músculos inchados num melão e os ombros mais largos que a árvore. A barriga é uma horta de pele flácida e as pernas demasiado magras como o cabo duma enxada. Esqueléticas até. Mas Iluz não pode ficar parado. Continua o caminho a utilizar o braço músculado como apoio. Até o cansaço ganhar e perder o equilíbrio.
A cabeça vai ao chão e solta um grunhido. Morde os dentes com toda a força enquanto expira e inspira de cansaço. Deitado na terra fria de barriga para baixo. Ele quer chegar a casa, mas a força de vontade desaparece. Espectros para isto... pensa Iluz com estômago a dobrar-se. Ele sabe o que aí vem. Tenta resistir. Mas em vão... Iluz vira-se para o lado e vomita.
Usa as migalhas de força para virar para cima e fechar os olhos. Sente o cheiro e a viscosidade do vómito nas costas. Mas o breve alívio seguinte, leva-o num transe para o passado.
Lembra-se de ser acordado de madrugada com o som de trovoada. Lembra-se de ver a tenda a ser arrancada do chão e a voar puxada pelas estacas. Lembra-se do Electromancer com capa negra e inúmeros amplificadores na cara a atacar sozinho o batalhão.
Raios eléctricos como trovões saíam-lhe do corpo. Todos os aparelhos metálicos como espadas, escudos e jaulas com animais voavam à sua volta. Como se fosse o epicentro duma tempestade metálica.
Os militares deixaram de lutar. Estavam a tentar fugir e sobreviver. Cães que Iluz treinou, eram arremeçados dentro das jaulas aos seus colegas.
Lembra-se dos gritos. Lembra-se do ganir. Lembra-se de se esconder no meio dos destroços, agarrado aos joelhos e a tremer com o medo de nunca mais ver Jillia. Quando por acaso, um raio do Electromancer lhe acerta. E tudo se apagou.
Iluz acordou semanas depois, com uma cicatriz enorme a cobrir o corpo e com maior sentimento de insignificância. O homem que quase o matou, nem se apercebeu da sua existência. Foi só mais um dos milhares de raios que soltou naquela noite. Foi só mais um dia para ele. E Iluz foi só mais um.
Após minutos que pareceram horas. Deitado no próprio vómito e a ser assombrado pelo seu passado, Iluz ouve galopar pelo trilho abaixo. Tenta virar-se e ver quem se aproxima. Mas o corpo ainda atrofiado, não obedece e continua deitado.
Até que vê patas de burro a parar ao seu lado. Ouve duas pessoas a descer ao som do ladrar de cachorrinho. Dois estranhos falam entre si. É a voz dum homem e duma adolescente. Iluz tenta ver os salvadores. Mas na escuridão e com visão distorcida, vê apenas duas silhuetas sem caras vestidas de branco. O homem é alto, magro e com cabelo comprido. E a adolescente faz-lhe lembrar Jillia com roupas sujas de preto.
Os estranhos tentam levantar Iluz. Contudo, por mais que tentem, o corpo inanimado acaba no chão. As pernas esqueléticas não tem força ou equilíbrio para aguentar o resto do corpo.
''Moody deita no chão.'' – Diz o homem. Uma voz familiar mas ainda indistinguível.
O burro obedece. Os estranhos agarram nos braços e arrastam-no pelo vómito para cima do burro. A sua cabeça fica encostada à crina, o braço músculado a servir de almofada e o outro balançar no ar. As pernas vão presas na sela. E com o cavalgar, Iluz adormece.
Horas depois, Iluz acorda num monte de palha mal iluminado. Deduz que esteja no estábulo pelo cheiro a cavalo e carvão, embora não saiba como lá chegou. A última coisa que se lembra é de beber com Duher e Ubin. O corpo normalizou, no entanto sente o estômago oco. Como se tivesse usado Biomancy. Mas não deve ser isso, usar Biomancy embriagado soa a ideia terrível.
Ouve os kuniks a cantar em coro no exterior. Estão felizes e animados. Distraídos com futilidades. Um som que por norma ignora, mas neste momento o faz querer a arrancar a barba ao dente. Iluz levanta-se e quase perde o equilíbrio. Não está tão sóbrio como esperava. Os primeiros passos foram difíceis, mas depois ganha o ritmo.
''Boa noite patrão.'' – Diz Tortgard de vassoura na mão. - ''A Rahel deixou uma merenda preparada. Está alí na mesa de poker.''
Iluz só quer comer e dormir. Mas a dor de cabeça... O barulho… O coro dos Kuniks como bois exaltados. O raspar da vassoura na madeira. O respirar dos cavalos. O vento.
Iluz fixa Tortgard com olhar vermelho envolto de olheiras. Incêndio envolto de pólvora.
‘’Vory, faz pouco barulho.’’ - Sussurra Tortgard. - ‘’O patrão não tá com boa cara.’’
‘’Preocupa-te tu com ele.’’ - Sussurra Vory. - ‘’Trabalho bem no silêncio.’’
Sussurros como riscos nos ouvidos. Iluz chega perto da merenda e dá um murro na mesa. Dói ao ouvido como martelar pregos em ferro.
Vory engole em seco. - ‘’O outro lado do estábulo também precisa ser limpo.’’
‘’Sim, é melhor ir para lá.’’ - Diz Tortgard.
Iluz puxa do banco e senta-se à mesa. Passa o braço e atira todo a palha, os feijões e cartas para o chão. E finalmente morde a merenda.
Foi feita por Rahel às escondidas de Jillia certamente. O pão e a alface estão secos, o queijo com bolor e a carne tem pontos esverdeados. É feita de sobras. Mas sabe tão bem na mesma. Entre as dentadas, ele sorri ao encher-se com um calor de prazer.
Mas o êxtase acaba. Iluz coloca os punhos na mesa e levanta-se. Os pés arrastam-se pela palha. As tonturas fazem o mundo divagar a cada passo. Sai do estábulo e sente o sopro de lucidez. O ar exterior é leve e liberto. Porém, o cantar fica mais alto.
Inspira a tapar a explosão. Mas solta um suspiro de alívio ao ver Rahel a aproximar-se.
Iluz força o sorriso. Mas em vão. Os olhos estão pesados e a mente nublada. Em vez de sorrir, Iluz mostra os dentes com olhos desnivelados.
''Pai! Pai! Advinha o que encontrei!'' - Diz Rahel.
''O quê?'' – Murmura Iluz.
''Um Cachorrinho. Podemos ficar com ele?!'' - Diz Rahel ao fazer o seu melhor beicinho.
Porém Iluz olha para o chão. Olha para Rahel. Olha para trás. Mas não encontra nada.
Só vê Tortgard pelo canto do olho. Ele olha Rahel e abana cabeça de lado a lado. Tem olhos arregalados e um dedo à frente á boca.
Os lábios movem-se em silêncio a soletrar ‘’a-ma-nhã, a-ma-nhã’’ .
''Está ali pai, ele voa.'' - Diz Rahel a apontar para cima. - ''Chama-se Ciza.''
Iluz franze o olhar. Aquilo não é um cachorro. É um espectro.
''Sua tonta. Tu não podes ter espectros. Não és Kunik'' – Diz Iluz a forçar o riso tremido. - ''Vai devolvê-lo a quem o tiraste.''
''Ele é que veio ter comigo e estivemos juntos o dia todo. Ele não tem outro dono'' – Diz Rahel.
Um arrepio atrofia Iluz como um rastilho. Não... Não... O espectro não é dela... A Jillia não me fazia isso... pensa Iluz ao deixar Rahel para trás. Eu já cá estava quando a Rahel nasceu. Mesmo se tivesse andado num reboliço ou outro no meio da palha com alguém, ela pararia quando regressasse... Certo?
Iluz olha para trás e repara nas expressões de Rahel e Ciza.
Rahel estende a mão... E Ciza vem até si sem palavras trocadas.
Rahel faz o beicinho... Ciza faz o beicinho.
''Vá lá pai! Eu tomo conta dele''
Iluz cerra os dentes e esconde as lágrimas. O seu rosto fica vermelho. Os músculos começam a pulsar. A crescer. A rasgar o resto da roupa de pano. Cada pegada maior que a anterior. A fúria alimenta a fome. Marcha em direção á casa e solta um grito que vibra a noite.
''JILLIA!''
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2020.04.15 07:23 wotuso Nenhuma estabilidade é páreo para o retorno de uma pessoa importante.

Então, não sei se vou me arrepender de escrever isso aqui quando eu acordar mas lá vai. Sempre fui uma pessoa introspectiva, sem muita experiência social ou amorosa. Quando era adolescente, conheci uma pessoa com quem não esperava fazer amizade, nos conhecemos pessoalmente, numa viagem, mas morávamos em lugares distintos e de forma muito natural desenvolvemos um laço muito forte de amizade. Tínhamos formas de pensar muito comuns, mas vidas totalmente diferentes, já que a outra pessoa vivia tudo que eu desejava, de forma que na minha cabeça eu era o outcast e a outra pessoa vivia uma adolescência de filme americano. Vocês já devem imaginar que não demorou para que eu me apaixonasse. Entre idas e vindas, eu tentando reprimir meu sentimento, por saber que não iria dar em nada, eu me abrindo e depois tendo que prometer que tentaria deixar pra lá, só pra conseguir continuar ao lado de uma pessoa que mesmo sem romance, me amava com reciprocidade e me tinha como alguém que participou muito da formação e amadurecimento como pessoa. Esse vai e vem durou anos, vi essa pessoa namorar, separar, passar por crises, e no fundo eu nunca esqueci o sentimento. Também tive as minhas, a pessoa esteve ao meu lado e mesmo nos momentos que a gente ficava meio distante, que o santo não batia, sempre acabava por voltar a amizade. Há uns 2 anos essa pessoa veio me visitar, vivemos 1 semana juntos que arrisco dizer que foi uma viagem a sentimentos puramente sublimes. Chegamos a nos beijar, mas só, e guardamos com muito carinho esse tempo que pudemos estar juntos pessoalmente. Há uns 1 ano, ou 1 ano e meio, essa pessoa estava bem distante de mim, numa fase ruim, eu estava me dedicando a alguns projetos pessoais e na minha cabeça tinha chegado o momento de cada um tomar seu rumo, paramos de nos falar de forma natural, como quem não vê muito futuro, e isso pra mim significava o fim. Desde então levei essa pessoa no coração como passado, como alguém que me ensinou muito, que trocou muita coisa comigo, e que mesmo sendo passado, eu guardaria num lugar bom da memória. Eis então que semana passada essa pessoa me manda uma mensagem pra retornarmos a nos falar, eu começo muito receoso, na defensiva, sem tomar iniciativa, mas logo eu já me senti confortável, mesmo sem ser aquele que puxa a conversa, já me vi novamente entregue às expectativas de ter alguém que a gente gosta de novo com a gente. Essa pessoa não me prometeu nada, é claro, mas por simplesmente mostrar seu afeto e seu desejo de se encontrar comigo de novo, de termos nossa amizade de novo, já mexeu muito comigo. Hoje essa pessoa, no meio de uma conversa, mencionou casualmente que em breve deve ir morar junto com outra pessoa, com quem tem um relacionamento. Claramente isso me quebrou, por mais que eu soubesse que essa outra pessoa existia, ouvir isso caiu como uma pá de cal pra mim, não era um namorico que eu sabia que acabaria, é uma coisa real. E então eu lembro de todos os rolos que eu tive, pessoas que eu fiquei desde que nos conhecemos (foram poucas pessoas, o suficiente pra lembrar de todos facilmente). Percebo como todas as pessoas com quem cheguei a sair algumas vezes em pouco tempo me eram desinteressantes, ou por mais legais que fossem, eu sempre sentia que faltava algo, sem nunca associar os fatos, mas sempre com a sensação de que ainda não era alguém que eu queria namorar, ficar mais tempo, etc. Hoje estou aqui sem conseguir dormir sem saber o que fazer, minha vida estava indo até bem, consegui um emprego, mudei pro curso que queria, estou com uma boa relação em casa, mas porra, nunca me senti tão sozinho e há muito tempo eu não sabia o que era sentir essa falta de correspondência, que na adolescência eu via como um contratempo, já que as coisas eram mais efêmeras, mas que agora recebo como um tiro, porque eu sei que por mais que eu sinta que é pra ser, que é inevitável, que é uma sintonia foda de uma pessoa pra outra, simplesmente não vai acontecer, porque o que a gente sente como destino nem sempre vai ser o que acontecerá.
Desculpem o texto grande, olha que omiti muitos detalhes pra deixar menos "rastreável". Espero profundamente que a pessoa do texto não use o reddit, e se você ler isso, já sei que amanhã teremos uma conversa difícil.
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2020.04.13 16:48 eduruiz333 Qual característica humana mais rara de se encontrar? Resposta: um adulto! Uma visão baseada nos ensinamentos de D. Juan Matus

Qual característica humana mais rara de se encontrar? Resposta: um adulto! Uma visão baseada nos ensinamentos de D. Juan Matus

Imagem não aleatória, representa D. Juan Matus, o xamã de Carlos Castañeda que me ensinou muitas coisas através dos livros, incluindo a visão de que a maioria dos adultos são apenas \"crianças profissionais\"
O que segue é apenas um ponto de vista pessoal, não é a verdade absoluta nem pretende postular tal coisa. Porém, procura ser um relato pautado na razão e na lógica.
Eu conto nos dedos de uma única mão, os adultos verdadeiros que eu conheço, e ainda sobram dedos... Já não sou mais um jovenzinho, tenha lá meus quarenta e tantos, tenho minhas falhas (muitas!) e apesar delas, ao longo da vida fui percebendo algumas coisas. Primeiramente, existem coisas que a idade nos dá, por exemplo: experiência, perspectivas, rugas e cabelos brancos. Dessas, algumas não podemos evitar, como rugas e cabelos brancos (ou calvos, que não é o meu caso), mas as outras, apesar de o tempo oferecer a todos igualmente, são muito poucas as pessoas que levam isso consigo. E ao meu ver, esses dois fatores, que são a experiência e a perspectiva, aliado a um pouco de inteligência e bom senso, é o que resulta no que chamamos de maturidade.
O que vejo é que a grande maioria dos adultos, infelizmente reivindicam seus direitos de adultos, porém agem como adolescentes, e às vezes até como crianças. É lamentável, não querem assumir responsabilidades, e o que mais fazem da vida é reclamar, choramingar, culpar tudo e todos. Não percebem que um adulto não é, não pode continuar se colocando em posição de vitima, qualquer posição assim, é uma atitude juvenil.
Um adulto tem atitudes amadurecidas, ele não tem tempo nem disposição para ficar se lamentando. Ele já entendeu que o mundo não é, nunca foi e jamais será justo. É preciso aceitar isso, obviamente que as pessoas sempre deverão lutar por um mundo mais justo e mais equidade, porém, não vai ser com posts em redes sociais que vai conseguir isso. Atitudes maduras como assumir a responsabilidade por qualquer que seja a situação em que se encontre, reconhecer a verdade de que são nossas escolhas e nossas ações que nos colocaram exatamente onde nós estamos, ou então foram a ausência dessas escolhas e ações, mas de toda forma, a situação de cada um é o resultado disso.
Se a situação não está boa, não vai resolver nada ficar choramingando, seja sozinho num canto ou publicamente. Não que pessoas adultas não chorem, não sofram nem se descontrolem, não é isso. Mas é o COMO fazem isso, e o mais importante: o que fazer DEPOIS disso.
Uma pessoa adulta deve compreender que pessoas mais novas são menos experientes, e tem menos perspectiva para olhar em retrocesso. O tempo de vida é mais ou menos como subir uma escada em espiral, quem já subiu vários lances, consegue olhar para baixo e ver os degraus que já pisou, e reconhece quais são firmes e seguros, e quais são escorregadios, frágeis e perigosos. Ao passo que quem está abaixo na escada e olhar para cima, não consegue ver os degraus que ainda vão ter que pisar. Uma pessoa com um pouco de sabedoria, olha para seu passado, mas como referência, como aprendizado, para se lembrar de não cometer os mesmos erros e manter seus acertos, não olha seu passado como fonte de pesar, o passado deve ser apenas isso, referência de aprendizado. E olha o seu futuro como um mistério, sabe que por mais que se faça planos e se organize, tudo pode mudar, e está preparado para lidar com falhas e fracassos, bem como com o sucesso. Não olha o futuro nem com medo, nem com muitas expectativas, mas tenta manter a serenidade do equilíbrio entre um doce sonho e uma dura realidade.
Muitos adultos culpam as pessoas, seus pais, amigos, professores, sociedade, irmãos... e até mesmo Deus (para os que creem) pelas suas situações. Obviamente que a vida de quem nasce numa situação de extrema pobreza e violência dificilmente terá as mesmas condições de quem nasce com mais condições financeiras e num lar mais amável, porém, a atitude amadurecida de um adulto deverá ser a mesma independentemente de condições externas, a diferença será que cada um deverá saber lidar o melhor possível com as condições que a vida os colocou, e ninguém, absolutamente NINGUÉM tem controle sobre isso, não há quem possa escolher nascer na miséria ou em berço de ouro, porém, TODOS podem e deveriam saber lidar com sua realidade, seja ela qual for, pois não adianta fugir dela. A realidade pode ser mudada, e pode exigir muito esforço, mas para isso deve ser enfrentada com coragem e impecabilidade, e isso só é possível abrindo mão da posição de vitima, não há outra maneira. Ninguém vai conseguir mudar a realidade de outra pessoa, se a própria pessoa não quiser mudar a ela mesma.
É claro, existem muuuitas outras coisas na vida de um real adulto que nem cabe descrever aqui, mas em geral, essas são as coisas mais comuns que vejo no meu dia-a-dia.
É só isso, mesmo, gostaria que mais adultos se comportassem de maneira realmente adulta.
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2020.04.10 08:37 Pomiwl Ninguém Precisa Saber Capítulo 2

II. MUITA COISA MUDOU
A luz da lua banhava, junto das milhares de estrelas que a acompanhavam numa imensidão negra, a copa das árvores da Floresta de Mouneet. Deslizando morro abaixo, por entre árvores e arbustos, uma vasta clareira expandia-se ao centro do local. Diana observava o céu — aquele grande poço de tinta escura, manchado apenas por pintas pontilhadas, com o tom de branco tão puro quanto as asas de um anjo. Algumas nuvens cinzentas voavam acima de sua cabeça, acompanhadas de corujas e corvos que encontravam seu caminho de volta para casa. Era a hora dos predadores atacarem. E, mesmo assim, parecia mais bela do que nunca. A garota tornou a folhear a caderneta que segurava em suas mãos. Apoiava suas costas em uma das pedras que espalhavam-se pela clareira, com tamanhos que variavam com constância. Não era confortável, afinal; mas era o que a natureza a disponibilizara no momento. Estava lá, sozinha, sem rumo, sem caminho. Sem qualquer guia, apenas as estrelas que indicavam o caminho ao distante norte. Ajeitou seus olhos com o dedo indicador, os deslizando por seu nariz até que estivesse na posição adequada, cobrindo suas sobrancelhas ruivas como o seu cabelo, vermelho como ferrugem ou como a chama ardente da pequena lareira que crepitava a sua frente. Esticou as pernas por debaixo do cobertor que carregara de sua barraca até o local, para que ficasse mais próxima de sua única fonte de luz e para que pudesse ler suas anotações antigas. Reluzindo a capa de couro negra, as indicações “este diário pertence a Diana Evolwood”, em auto-relevo. Ela inclinava sua cabeça levemente para frente para que pudesse ler o título de cada dia que passara em sua vida, onde registrara tudo que havia acontecido. Às vezes, gostava de relembrar o tempo quando ainda tinha alguma companhia além de Khan, seu fiel gato, que no momento descansava dentro da barraca. Passava os olhos sobre o título de cada dia do diário. “O dia em que fomos acampar”, “o dia em que fomos ao parque de diversões” eram algumas das diversas memórias que vinham a sua cabeça, vívidas como se houvessem acontecido no dia anterior, apesar dos diversos meses que haviam passado desde que tudo aconteceu. Continuava folheando até que deparou-se com uma página em branco, apenas com um largo título no topo da página amarelada. “O dia em que tudo acabou” diziam as letras marcadas por uma tinta preta que manchou levemente o papel. Rapidamente, tornou-se insegura, como se tivesse sido emergida em pura tensão e horror repentinas, seguidos de alguns soluços breves. Por algum motivo, mesmo relembrando todos os dias daquela vazia página, não esperava a encontrar folheando aleatoriamente a caderneta em busca de algumas memórias agradáveis que a fizesse se sentir um pouco mais segura. O coração da jovem acelerou, e ainda mais lembranças vieram à tona. Dessa vez, não era aquele mesmo bom sentimento de nostalgia ou conforto. Era dor. Dor, angústia e desespero. Seus olhos arregalaram-se e, por mais que tentasse lutar contra aqueles pensamentos, não pôde evitar que algumas lágrimas se acumulassem por detrás de seus óculos. Diana encolheu-se, deixando a caderneta cair no chão, levantando uma poeira momentânea e provocando um curto ruído — o suficiente para despertar Khan, que levantou sua cabeça dentro da barraca. Ao menos, era o que sua silhueta através do tecido da tenda mostrava. Lembrou-se do conselho que recebera há algum tempo. “Deve lutar contra seus traumas, mesmo que pensar neles já seja doloroso.” Inspirando um pouco de ar pelo nariz e fungando, recolheu as lágrimas e ergueu novamente seu corpo contra a pedra. Este era o motivo pelo qual estava lá. Não poderia deixar que tudo fosse em vão. Olhou para o céu novamente, que não havia mudado nem por um instante. Qual era o propósito daquilo tudo? Uma garota de sua idade deveria estar na escola, como qualquer outra adolescente. A escuridão costumava a assustar, mas, após conviver com ela por tanto tempo, passou a se sentir segura emergida em um poço sem fundo, onde nada podia ver além de um abismo de incerteza. Este era seu futuro. “Um abismo de incerteza”. Recuperando seu fôlego, pegou seu diário e limpou sua capa de couro com a outra mão. Agora, era sua mão que estava coberta de poeira. Deixando apenas uma única lágrima cair sobre a folha, leu em voz alta um anexo preso à página — uma passagem de jornal, que exibia a imagem de um garoto que se parecia muito com a própria Diana. — “O desaparecimento de Max Evolwood”. Sua voz estava ainda mais rouca do que antes, e suas pálpebras quase caíram sobre os olhos do peso de várias noites mal dormidas que carregavam. Fitou a clareira onde se encontrava. Assegurou-se de que estavam completamente sozinhos. Catou o primeiro graveto que viu a sua frente e jogou sobre o fogo, fazendo com que resquícios de brasas passadas voassem ao alto por um instante e, em pouco tempo, irrompeu-se em chamas, bem como as demais lenhas. Ajoelhou-se na terra, guiando seu corpo pelos seus braços, que encontraram o zíper que fechava a entrada da barraca. Abriu-o, deixando a claridade da lareira invadir o local, que estava bem mais quente do que o lado de fora. Khan estava lá, encolhido, mas ela mal prestou atenção em seu amigo. Carregando seu cobertor que arrastava-se completamente pelo chão, acumulando certa quantidade de poeira e sujeira — fato com o qual ela não parecia se importar — em sua ponta. Levava a caderneta abaixo de seu braço, coberto por inteiro por uma blusa de manga comprida com um delicado tom de escarlate, roupa que já usava há dias desde que havia deixado Lyrion. O teto da barraca era baixo, fazendo com que ela não pudesse se estabelecer de forma tão confortável mas, definitivamente, era bem melhor do que dormir lá fora. O tecido da tenda era esverdeado, camuflando-se entre as cores da floresta. Quando deitava no chão, podia sentir a grama e as pedras espetando seu corpo, logo abaixo daquela fajuta camada de pano. Mas, mesmo assim, o sono da garota era tanto que ela simplesmente repousou a cabeça sobre um amontoado de roupas velhas — que improvisaram como sendo um travesseiro — e fechou seus olhos, mergulhando em um sono profundo.
As luzes da sirene policial brilhavam sobre a parede branca da sua sala, irrompendo pela larga janela de sua casa com força. Diana havia acabado de acordar — o poderoso som provocado pela viatura parecia não ter perturbado somente à ela, mas a todo o bairro, que se reuniu na frente de sua cara para saber o que houve. Mas, a primeira coisa que notou quando abriu seus olhos foi a cama de Max, seu irmão, estava completamente vazia — os lençóis bagunçados, bem como os travesseiros brancos. A partir daí, já tinha um mal pressentimento sobre o que veria a seguir. Seguiu com os pés descalços até o corredor, provocando um irritante ruído quando abriu a porta. Ainda não estava completamente dispersa, esfregando os olhos com o punho fechado e bocejando. Passou por duas portas — o banheiro e o quarto de seus pais. Caminhou em direção à sala. À medida que se aproximava, começou a escutar algumas palavras soltas, interrompidas por soluços vindos de outra pessoa — sua mãe. — Nós daremos o máximo para encontrarmos Max, mas não garantimos nada — comentou um homem desconhecido, vestido com trajes policiais. Se deparou com dois homens que nunca havia visto na vida sentados nas poltronas da sala de estar, enquanto seus pais estavam sentados no divã. Rachel cobria seu rosto, com os cotovelos apoiados sobre as coxas, deixando escorrer lágrimas por seu antebraço. Ed a consolava, passando a mão por seu pescoço, mas também aparentava estar extremamente preocupado. — Acho melhor darmos um tempo para vocês conversarem. Continuaremos com as perguntas depois — finalizou, suspirando ao perceber a presença de Diana que, apesar de não saber exatamente o que acontecia, tinha suas suspeitas. Rachel levantou o rosto. Seu rosto estava inchado e vermelho, com lágrimas queimando em sua face. Estava claramente fraca, os olhos profundos de uma noite mal dormida. Parecia estar prestes a desmaiar a qualquer instante. Diana nunca havia visto sua mãe desta forma. Ela ainda utilizava seu pijama, molhado por pequenos pontos mais escuros que destacavam-se sobre sua blusa branca. Estava trêmula. Ed parecia tentar disfarçar seu choro, piscando frequentemente para livrar-se de suas lágrimas. Diana nunca entendeu, já que a sua vida inteira foi ensinada que você sempre deve demonstrar seus sentimentos, e que guardar tudo para você te faz mal. De uma forma ou de outra, também estava claro o quão preocupado estava. — Ah, minha filha... Mal conseguiu completar sua frase. O piso da sala, gelado, cobria o corpo da garota como um balde de água fria derramado sobre seus cabelos castanhos. Em pouco tempo, já soube o que havia acontecido. Sentiu como se seu coração parasse e saltasse pela sua boca, talvez em busca de um lugar distante onde não precisasse encarar o que estava por vir. E aquelas mesmas palavras ressoaram à sua cabeça, como um eco distante vindo do fundo dos seus pensamentos, claras como um trauma que carregava, e obscuras como o medo e a desconfiança que sentiu naquele mesmo instante, quando viu a boca de sua mãe repetir lentamente, tremendo os lábios: — Max está desaparecido. Em seguida, desabou-se sobre os braços do marido, que a reconfortou. Rachel, depois de gritar sem êxito por ter sua voz abafada por suas próprias mãos, levantou seu rosto contra a garota novamente. Porém, não era tristeza que expressava. Era raiva. Suas sobrancelhas franzidas e seus dentes cerravam denunciavam suas emoções. — Como pôde deixar que isso acontecesse, Diana? Max era seu irmão. Como não pôde o proteger? — disse ela, a ponto de berrar a qualquer instante. Seu rosto estava vermelho como um tomate. — Diana, como é imprestável. Seu próprio irmão... como pôde deixar que isso acontecesse? Você é a culpada aqui. Você falhou. — completou seu pai, que também a encarava subitamente, com os olhos sedentos. — M-Mas, eu... — ela estava confusa. O que estava acontecendo? Como poderia ser sua culpa? Sua mente carregou-se com um turbilhão de emoções em instantes. Ela havia... falhado? — Sem “mas”, garotinha. Você já tem idade o suficiente para ter consciência sobre seus atos. Você foi inútil. Não conseguiu fazer nada para salvá-lo. Max confiava em você, e agora? Está provavelmente morto. Você sabe que está errada, não ouse negar sua culpa. — se intrometeu o policial, tendo uma estranha energia, como se ele já a conhecesse. Levou a mão direita ao olho direito. Uma lágrima escorria pela sua face. Elevou sua mão esquerda ao olho esquerdo. Uma gota de sangue escarlate vazava de sua bochecha. Era como se uma entidade mexesse com a cabeça de todos ao mesmo tempo. Levantaram-se e foram-se em sua direção, esbanjando a mesma cara séria e de olhos arregalados, como num filme de terror. Se aproximavam lentamente, repetindo críticas ao comportamento de Diana em um tom aterrorizante, como se fossem a atacar. A cada passo que davam em sua direção, a encurralando contra a parede, o ritmo de seu coração também aumentava. Seus olhos demoravam a abrir novamente quando piscava. Não havia caminho. De repente, sentiu algo como um arranhão em sua face, seguido por um forte miado em seu ouvido. Piscou, mas não acordara dentro da sala de sua casa. Ainda estava dentro da barraca, e Khan cutucava seu rosto para que acordasse. Ela resmungou algo sobre ainda estar dormindo, mas ainda assim levantou-se.
Muita coisa havia mudado desde que saíram de Lyrion após a declaração da situação de extremo risco que sofria. Os feixes da luz do sol atravessavam o tecido da barraca. Sentiu o calor irradiar seu rosto em instantes. Seus olhos arderam com a brusca diferença de luminosidade. Catou sua caderneta antes de sair e começou a rabiscar o papel, formando alguns garranchos que, se apertasse bem os olhos, seriam legíveis. Sentiu o cheiro da tinta fresca da caneta quando começou a escrever. “Olá. Faz um tempo desde que não nos falamos, não é? Eu sei que eu meio que te abandonei, mas é que as coisas estiveram me ocupando bastante desde que a gente veio pra cá. Vou tentar te atualizar de tudo que rolou desde então. Depois daquela tarde em que nós colocamos o rádio para funcionar pela primeira vez, nós começamos a arrumar umas malas (aparentemente, não coloquei roupas o suficiente, já que to usando a mesma roupa há alguns dias). No dia seguinte, nós fomos em uma loja no centro da cidade que costumava vender equipamentos para acampar. Espero que me perdoe, mãe, mas nós meio que levamos algumas coisas sem pagar. Era uma situação de vida ou morte, tá legal? Um azar que eu não peguei uma daquelas barracas super chiques com espaço para oito pessoas. A essa altura, a que pegamos já tá toda rasgada. Triste. Nós decidimos vir para a Floresta de Mouneet, onde a gente costumava vir para passar alguns finais de semana. Era legal. Estamos estabelecidos nessa clareira há alguns dias. O alimento ainda tá meio longe de acabar, mas nós já estamos providenciando mais. Lembro de algumas frutinhas comestíveis que nós provávamos quando vínhamos acampar. Bons momentos.” A partir daí, sua caneta começou a falhar. Pegou a caderneta e a arremessou de volta para dentro da barraca. Estava mal-humorada. Calçou suas botas jogadas ao canto. Seu couro estava quase mofado e seu interior estava úmido — mas era melhor do que nada. Estava partindo em direção a um lago próximo da clareira, onde poderiam fazer sua higiene pessoal. Não negava que era uma situação completamente diferente de qualquer outra que já esteve. Era garota criada em apartamento, vida perfeita, família feliz. Mas estava disposta a fazer qualquer coisa se seu irmão dependesse de si. E era nessa situação em se encontrava. Então, enquanto não encontrasse seu irmão... Continuaria escovando seus dentes com a água do lago. Khan a seguiu, adentrando o mato. Suas patas estavam cobertas por uma mistura de lama com folhas secas. Era nojento. Cada vez mais, se aproximavam da grande concentração de água. O ar que respiravam era diferente do da cidade — era puro, leve, como se fosse libertador. Além das árvores, já podia ver o grande espelho d’água refletindo a margem do lago. Um milagre da natureza, de beleza indescritível. Uma família de patos cambaleavam até a borda, preparando-se para molharem suas penas. A mãe ia na frente, enquanto os sete pequenininhos oscilavam seus passos em uma fila. Era de longe a coisa mais bonita que já havia presenciado. Estampava essa emoção com sua boca aberta, mas ainda mostrando os dentes, sorrindo. Porém, algo lhe chamou a atenção. Algo se mexia por detrás dos arbustos, da onde saíam guinchos e choros. O barulho a causou comoção, que procurou saber da onde vinha. — Khan! Tá ouvindo isso? — ela deu um breve silêncio para que pudesse ouvir melhor. O som do vento chacoalhando os galhos das árvores a trouxe paz. O choro se repetiu. — Vamos! O gato pulou em meio ao amontoado de plantas e raízes, abrindo um rombo entre as folhas com suas garras. Diana impressionou-se com sua capacidade. Em meio às folhas caídas, surgiu o oitavo patinho perdido, que continuou a chorar. Algumas gotas de chuva começaram a cair contra o chão, levantando a lama que repousava, endurecida, sob seus pés. Seu coração se amoleceu ao ver que tinha sua pata presa à uma das raízes da planta, que parecia o machucar com força a cada movimento que fazia. Ele a encarava como se implorasse por socorro, mas ainda assustado com a presença dos dois. As gotas de água começaram a se tornar cada vez mais frequentes. — Ah, coitadinho... — ela acariciou sua cabeça com o dedo indicador, sentindo as penas amarelas como a gema do ovo em suas mãos. Seu bico achatado e rosado abria uma hora ou outra para continuar guinchando de dor. — calma, calma. Khan, você não pode cortar a raiz com sua garra. Vai acabar machucando ele. Vem, fica aqui bem atrás de mim. Eu tenho algo melhor para ajudá-lo. Do seu bolso de trás, catou a caneta que esquecera de jogar de volta à barraca quando começou a falhar. Com cuidado, a encravou entre a raiz e a patinha do animal, e começou a puxá-la para trás, lentamente rompendo as fibras. Finalmente, a raiz se partiu no meio, lançando uma seiva amarelada para toda a parte e quebrando o acrílico da caneta. Agora sim precisaria de uma nova. Sua camisa estava completamente ensopada e pesada, enquanto os pelos de Khan estavam caídos com a água. Ela catou o filhote em seus braços, o confortando e envolvendo seu machucado com uma parte de sua blusa para estancar um pequeno sangramento que se surgiu. Tomando cuidado com seus passos, o carregou até perto da sua mãe, que parecia mesmo procurar por algo enquanto os filhotes de refrescavam na água. Ela grasnou e chorou, até que Diana adentrou a clareira que cercava o lago, com Khan colado à sua perna. Um forte vento acompanhou as gotas de chuva, que começaram a atingi-los quase que na horizontal. Pelo amontoado de árvores e arbustos, pode ver além da clareira sua barraca, que chacoalhava fortemente. O pequeno pato alegrou-se em ver sua mãe. Com seu pequeno conhecimento sobre a lógica animal, não se aproximou da mãe, pois poderia a encarar como uma ameaça; apenas o deixou ao chão e, derrapando por não conseguir utilizar uma de suas pernas, voltou para sua família. — Sabe, Khan... — ela finalmente desviou o olhar do grupo de animais, que continuavam a se banhar no lago, felizes — acho que eu gosto de ajudar as pessoas. Nesse pequeno tempo... eu não pensei em Max, ou em meus pais em momento algum. Eu costumava só me preocupar com isso. Eu até sonhei com eles. Mas, eu não me sinto preocupada, ao mesmo tempo que eu acho que deveria estar, e... O companheiro olhava diretamente em seus olhos. Ele, geralmente, não gostava de estar sujo, mas não parecia se incomodar nem um pouco naquele momento. — Acho que é isso. — O olhar de Khan demonstrava sua confusão, mas ao mesmo tempo uma leve curiosidade. — É isso que eu quero fazer. Ajudar as pessoas. Ele abriu um longo sorriso e ronronou. — Mas... é hora de voltar à realidade. Olhando em volta, ela podia ver um pedaço danificado da barraca, carregado e destruída pela chuva. Ela se aproximou e segurou o grande pedaço de lona rasgada e suja de lama, presa a um grande tronco de árvore, cortado pela metade. O tecido era azul, e se desfazia quando Diana esfregava seus dedos entre o pano. Agarrado a ele, sua caderneta, completamente ensopada e suja. Pelo menos, isso conseguiu ser salvo. — Acho que teremos de achar outro lugar para dormir... Ela continuava examinando os pedaços arrancados da barraca, enquanto o pequeno gato olhava à sua volta. Tentou livrar-se com sua pata de algumas folhas que grudaram-se ao seu corpo com a aderência da lama já seca, que permanecia endurecendo seu pelo, cinza como as nuvens que pairavam o céu, e que ainda descarregavam uma massiva quantidade de água. Caminhou ao redor, desviando de pequenas plantas que nasciam por entre a terra, constantemente recebendo umidade daquele clima extremamente chuvoso. Subiu em uma grande pedra, que se alongava até as proximidades do lago. Já em sua ponta dura e afiada, Khan avistou, do outro lado do grande espelho d’água, uma pequena casa de madeira, iluminada pelo sol que ainda escalava dificilmente o céu, erguendo seu brilho em direção ao meio-dia. Parecia um lugar caloroso na percepção limitada do gato. Diana, acompanhando o amigo com o olhar, enxergou também a casa, onde poderiam pedir abrigo. Ela se sentou. Suas pernas ainda estavam cansadas e em constante dor. Seu coração permanecia acelerado. A menina observou o chão, onde algumas flores pareciam sofrer as reações do fim do outono e a chegada do inverno. Era uma rosa — um pouco desbotada, mas era como um símbolo de resistência. Ela arrancou a flor da terra, tomando cuidado para não se furar com os espinhos — ela deslizou para fora da lama lubrificada sem insistência. Ergueu suas pétalas. Seu rosto ficou lívido quando percebeu um pequeno detalhe, que a fez largar a rosa no chão — ela rapidamente se desfez em poeira. O caule estava cinzento. — Khan... — ela se afastou o mais rápido que pôde da flor que, no momento que tocou o chão, fez com que a pouca grama à sua volta também se tornasse cinzenta e podre. O forte cheiro de estrume também incomodou o olfato de Diana. — precisamos ir... rápido! O felino saltou do topo da grande pedra até o chão, caindo de pé. Parecia confuso, mas não hesitava em seguir sua fiel companheira. Deixou todos os seus pertences para trás, conseguindo levar consigo apenas sua caderneta, em que registrava cada dia que passava. Suas pegadas foram deixadas pela última vez naquela lama, que nunca mais seria tocada por uma alma viva. Estava trêmula, assustada. Em um segundo, todos os seus sentimentos de preocupação e ansiedade voltaram ao seu corpo, um por um. A assassina havia os alcançado.
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2020.03.06 00:56 Nerdialismo Meu irmão está morando com uma mãe solteira e ela está fazendo a vida dele um inferno.

Meu irmão começou um namoro a um tempo com uma moça que conhece desde adolescente e a alguns meses atrás (7 meses para ser específico) começaram a morar juntos na casa dos meus pais. Ela tem um filho de um ano de outro relacionamento, o pai paga pensão, de vez em nunca, e então meu irmão se tornou o pai da criança, e o trata como seu filho de sangue e faz tudo que pode pra ajudar, e ele e a mãe do menino tem uma relação boa e tem muito em comum, ou pelo menos tinham.
De um tempos pra cá, diria que a uns dois meses, ela tem sido bastante negligente com as contas que eles fazem, como comprar fraldas e outros produtos que o menino precisa, além de faltar do trabalho cada vez mais, e gastar o dinheiro com coisas fúteis, sendo que ambos concordaram em guardar o máximo possível para construir o canto deles no fundo da casa de meus pais pra poderem ter mais privacidade.
É claro que ele não é santo, e também é bastante complicado de se conviver, ele gosta de ter a liberdade dele e não abre mão de um tempo sozinho nos fins de semana, além de estar sempre bebendo, de fim de semana mesmo ele começa a beber desde cedo e chega a tomar uma caixa inteira em um dia, além de fumar maconha de vez em quando.
Nessa semana ela faltou duas vezes e tomou uma advertência escrita, o que significa que a próxima vez irá ser mandada embora, e ele ficou muito bravo, discutiram e então ele me contou que não aguenta mais, que ele quer terminar mas que não sabe como vai fazer isso até porque foi ele que escolheu trazer ela pra morar junto e que por causa da criança ele não sabe se pode existir repercussões em expulsar uma mãe solteira assim do nada.
O que ele deve fazer, o fato de estarem juntos por tanto tempo em baixo do mesmo teto pode ter problemas legais pra ele? Deveria procurar um advogado?
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2020.01.10 08:23 Hugoebesta A Natureza do Errado, por Lennado

A Natureza do Errado


Em tempos complexos como os nossos, cabem constantemente constatações sobre nossas atitudes. Como saber qual o melhor curso de ação pra qualquer decisão que tomamos? O que é algo Certo? O que é algo Errado? A seguir estarão algumas edificações do filósofo urbano conhecido como Lennado. Tal como Sócrates, Lennado transmite suas ideias através de retórica, preferendo estabelecer discussões com quem as quer ouvir a registrar suas ideias em texto. Sou um dos seus alunos, e cá venho relatar seus pensamentos.

A história começou, como tantas de hoje em dia, com um debate sobre um videogame. A questão era decidir qual de dois designs era melhor. Lennado afirmou que um dos designs era melhor, e outro membro afirmou que a opinião dele estava errada. Lennado rapidamente expressou sua confusão e respondeu, parafraseado:
Não tem como eu estar errado por preferir algo.
Outro membro apresentou um contra-argumento. Se Lennado estiver certo, não implicaria que não é errado, por exemplo, preferir sexualmente crianças a adultos?
Desde que ele não tenha relação sexual com criança, sim. Não estou falando de um pedófilo, estou falando de uma pessoa normal. Se ela prefere sexo com criança, mas não faz sexo com criança, não tem problema.
Lennado apresentou uma nova definição do conceito de pedofilia, mostrando um ecleticismo filosófico admirável. Para ele, um indivíduo adulto que sente atração sexual exclusiva por crianças mas não age sobre elas não é pedófilo. Também afirmou que, embora seja legalmente errado, é natural que adultos sintam atração sexual por adolescentes menores de idade. Ele não apresentou fontes, mas dada sua honestidade intelectual é provável que até mesmo tenha feito pesquisas e experimentos independentes sobre o assunto.
Lennado constantemente apresentou desconforto sobre a discussão, querendo voltar a jogar um de seus videogames. Como um filósofo tradicional, a internet não soa como seu meio favorito de compartilhamento de ideias. Quando pressionado, ele expressou o cerne de sua teoria de relativismo moral:
Se é uma opinião, até que alguém fale que você está errado e faça você mudar de ideia, para você ela é 100% correta. Certo e errado são relativos. Na sociedade, uma opinião pode ser errada mas, para você, sua opinião é sempre a mais correta.
— Lennado, circa 2020
Lennado esclareceu:
Pense. Existe algo certo e errado para uma pedra? Não, a pedra não tem consciência. Os conceitos de Certo e Errado são dependentes da consciência. Não existe nada inerentemente certo ou errado. Esses conceitos dependem de cada um.

Lennado edificou duas definições para Errado: O Errado Social e o Errado pessoal.
Errado Social é algo que é maleficial a você mesmo ou a outro(s) membros da sociedade.

Eu dei a definição Pessoal de Errado. Uma definição propriamente sua, sem intervenção da sociedade. Um cara que decapita uma mulher, fode o pescoço dela e depois joga ela num rio não acha que fazer isso é errado, normalmente.
Lennado retomou o tópico da pedofilia para mostrar situações onde as duas condizem:
Antigamente você podia gozar em criança a qualquer hora. 10 mil antes de cristo? "Ooga booga, criança, me chupa". A sociedade não achava isso errado, nem você, nem a criança, provavelmente.
Lennado também explorou o paradoxo. Ao afirmar que a definição de errado varia de cada um, não está dando uma definição de errado?
São perguntas que não têm resposta certa. Se eu responder com um "sim" ou com um "não" eu vou usar minha opinião na definição de errado.
Isso deixou a discussão num impasse. Um membro de uma sociedade pode mesmo dar uma opinião imparcial sobre ela? Lennado sabiamente sentiu que a discussão andava em círculos. Como um homem dependente da lógica, isso o deixou transtornado.
Não consigo pensar mais. Sofri um AVC. Quando eu penso por muito tempo, minha mente morre.
Posteriormente, ele retomou a discussão. Reestabeleceu o seu ponto da interdependência entre humanidade e moral:
O errado não pode existir sem definições pro errado. O errado não pode existir sem existir alguém que ache o "errado" errado.
Lennado então introduziu um conceito novo para avaliar o valor moral de uma ação. Tomar o quão negativa/positiva ela é pra todos que são afetados por ela, e fazer a média aritmética.

Um gradiente de certo e errado pode indicar o quão certo ou errado alguma coisa é, mas se tu envolve duas pessoas, um ato pode ter diferentes graus certo-errado para uma quanto para outra, em dois pontos diferentes num suposto gradiente. Você pode ter a média das duas em um ponto só.
Com isso, Lennado afirma solucionar sozinho o problema filosófico que coça a cabeça de filósofos há milênios. Realmente, um cara excepcional.
Muitos de seus estudantes apresentam surpresa quando expostos a suas ideias, mas isso é a marca de um grande filósofo: Fazer alguém se cogitar sobre coisas que tinha como certa. Seguem relatos de pessoas, estudantes ou não, ao terem as mentes abertas com esses novos conceitos de Lennado.



Eu acredito que essa teoria muito provavelmente é proveniente de um otaku, considerando que otakus são os seres da cultura atual que mais veem pessoas gozando em crianças, e como todo bom seguidor de nosso amigo esqueleto, a gente tem que quebrar otaku a pau. Então a sensação em ouvir que tal ideia realmente existe em pleno século 2020 [sic], correto, é que a gente precisa quebrar alguns otakus na porrada, e é por aí mesmo.
— Brandon, ao ser provado por Lennado que todo mundo achava que era certo gozar em crianças na antiguidade

Bem, acredito que isso é uma interessante teoria filosófica. Diretamente contradiz o teorema do imperativo categórico, mas tem um embasamento filosófico em outros "anciões" da filosofia. Acredito que essa teoria deve ser levada mais a sério, pois como Lennado mesmo disse, uma coisa pode ser certa pra um e errado pra outro. Por exemplo, o genocídio racial. É relativo. — Pedro, ao ser demonstrado que nenhuma ação é inerentemente errada, pois pedras e afins não acham que nada é certo ou errado

Olha cara, essa teoria do lennado me deixou assim, triste por dentro, tá ligado, porque tipo, cara, não faz sentido essa merda, tá ligado? Aí fico pensando, como que um humano assim existe, tá ligado? Aí fica um bagulho meio esquisito.
— Henr, ao ser mostrado que um adulto sentir atração sexual exclusivamente por crianças não é errado, desde que ele não as estupre

Olha, na minha opinião, eu acho isso muito triste. Lennado é uma pessoa que poderia ser muito boa pra sociedade, mas acho que as ideias dele são muito erradas. Acho que é moralmente errado você fazer, por exemplo, o genocídio armênio dois, mas segundo ele não seria errado, por mais que isso não seja realmente uma verdade. Eu tenho certeza que ninguém realmente ia achar isso certo. Em geral, cara, Lennado é um cara que tem umas ideias muito estranhas, e se essas ideias fossem aplicadas em nossa sociedade, ela não ia ser tão boa quanto ela é hoje em dia. É, o Lennado é um cara muito estranho.
— Gabs, ao aprender que toda ação é ao mesmo tempo certa e errada

Assim fecho mais um registro das ideias do filósofo que provoca todos com conceitos inovadores. Certamente um homem à frente do seu tempo.
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2020.01.08 08:07 Bloodao Paixão por uma personagem fictícia.

Olá, esse é o segundo site em que posto isso, por mais que seja um tanto vergonhoso pra min, sinto que é nescessário, por favor se você acha esse título uma brincadeira ou uma fanfic, pelo menos não comente nada pra não piorar minha situação, irei contar como tudo começou desde o primeiro dia.

Naquele dia eu estava jogando tranquilamente, e chega uma mensagem no meu celular, eu abro e é meu amigo, me recomendando um anime, eu curto animes e ultimamente tem sido o meu hobby além de jogar, então eu fui ver, pra quem assiste bastante animes, provavelmente já deve conhecer,Rascal Does Not Dream of Bunny Girl Senpai, ou só pelo nome curto que as pessoas chamam normalmente, Bunny Girl Senpai, e bom, eu assisti o anime inteiro e achei maravilhoso e incrível, creio que tenha sido o melhor anime da minha vida inteira, depois de terminar o anime assisti o filme do anime, que também é espetacular, depois disso eu fui continuar meu dia normal de férias, jogar ou assistir mais anime, mas eu tavo sentindo um peso enorme, e eu não sabia o que era, e eu ficando confuso comecei a entrar em pânico, tentando descobrir o que estava me causando essa agonia, esse frio na barriga absurdo, então sem querer eu descobri, quando eu pensei em uma das personagens do anime, eu cai em lágrimas, tinha acabo de descobrir que estava apaixonado por uma personagem fictícia, me refiro a Mai Sakurajima, ou apenas Mai-San, e eu estava tentando achar uma solução e me veio a cabeça ''eu posso ficar tranquilo, isso é só uma apaixonite por uma personagem, obviamente não vai durar nada ou algo do tipo'', emfim.... aqui estou eu, com um belo tempo passado, e já estou ficando com medo de me sentir assim pra sempre, pode parecer muito exagero, afinal estamos tratando de algo impossível, mas eu realmente percebo que estou apaixonado por ela, ela conseguiu ser perfeita aos meus olhos, provavelmente não só aos meus, isso que me deixa ainda mais furioso, além de ser uma personagem, ou seja, é algo que nunca conseguirei, se por um acaso eu conseguisse, eu não seria o único, pode parecer egoísmo mas é o que eu sinto, eu cada vez só sinto mais afeto por ela, eu realmente à amo, eu percebo isso por que um dia eu já fiquei apaixonado por uma garota, e senti as mesmas coisas, e eu só consegui esquece-la por que ela realmente parou de existir pra min, eu não lembro dela mais, e quando eu lembro não sinto mais nada, provavelmente muitos de vocês que estão vendo esse texto vai tentar responder que esse é o exemplo mais forte de que eu vou um dia quem sabe esquecer a Mai-San, mas pra min esse é o exemplo mais forte de que eu não vou esquecer, por que pra esquecer uma garota que eu praticamente não tinha contato nenhum com ela, quase não a via, foi um inferno, imagina pra uma personagem, que é algo que aparece toda hora, ainda mais ligada a tantas coisas importantes pra min, por exemplo, quem me recomendou o anime foi um dos meus melhores amigos, pra min ele é uma pessoa inesquecível, e o anime foi o melhor que já vi na vida, então também é inesquecível, eu já não sei o que fazer, muitas pessoas também podem falar que eu só estou apaixonado por ela ser uma personagem bonita, mas a personalidade dela pra min é a melhor do mundo, eu não consigo acreditar que exista algo assim, uma pessoa tão boa e doce, que se preocupa com você a ponto de largar o trabalho que estava fazendo em outro país, pra viajar até você pra te confortar, talvez possa existir várias pessoas assim, mas eu queria me casar com ela, queria dormir com um abraço quente dela, e pensar nessas coisas só aumentam meu amor por ela.

Eu sou um cara muito realista, nem um pouco utópico, reconheço o que é impossível, e talvez por isso eu esteja mais triste do que deveria estar, eu sei que não vou consegui-la, e isso me dói muito, acho que é a dor mais forte que já senti, superou até a que eu senti na morte do meu avô.

Não sou uma pessoa triste, não vivo dizendo por ai que quero cortar os pulsos nada do tipo, e como eu já disse essa sensação não é nova pra min, já que já senti isso um dia, eu fico com um ódio de mim mesmo por ter me apaixonado por uma personagem de um desenho japonês, kkkk me da até vontade de rir, mas a tristeza bate muito mais forte por culpa de todos esses fatores, eu não vou esquece-la, e nunca vou ter ela junto comigo.

Eu realmente agradeço você que leu tudo isso e que provavelmente quer me ajudar, eu não sei o que fazer, e não sei o que quero que aconteça no meu futuro, já que uma parte de min que esquece-la, pra acabar com esse sofrimento que estou sentindo, mas a outra parte quer que eu lembre dela, essa parte quer ser utópica, a ponto de ter esperança de um dia eu me juntar a uma personagem de desenho, eu não sei como eu deixei isso acontecer (me apaixonar por uma personagem), mas eu me culpo todo dia por isso.

Antes de terminar queria dizer que se você for responder uma frase pra me ajudar que seja do tipo: ''fale com seus pais sobre isso, eles são as melhores pessoas pra conversar com você'' ou ''tente achar uma pessoa igual a ela, tanto em aparência (apesar de ser impossível pois além dela ser perfeita rsrs... ela é uma personagem de anime) quanto em personalidade''. Digo pra não responder isso pois se eu falo pros meus pais sobre isso, e que foi assistindo anime que aconteceu, eles vão cortar minha assinatura com o site de animes, pois pra assinar foi uma luta, já que meu pai havia ouvido rumores de que adolescentes/jovens estava se suicidando e coisa do tipo por causa de animes, e assistir animes está sendo meu hobby principal, é o que eu mais gosto de fazer. E pela parte de encontrar alguém parecida, por que eu não vou ficar com uma garota apenas por que ela parece com uma outra pessoa que eu gostaria de estar namorando, além de ser ruim pra min, em questão de eu estar sendo egoísta e deixando a garota triste por isso, eu vou estar apenas aumentando as esperanças de que um dia eu tenha ela.
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2020.01.08 05:15 BatataV Deixando a educação livre

(texto feito por mim)
Quase todo mundo uma vez na vida ao ter passado pelo sistema de ensino convencional nas escolas já deve ter — intuitivamente ou com razão própria — notado algo de errado.
Talvez as matérias que não faziam sentido nenhum aprender sendo que não vai usar, talvez a maneira dos professores ensinarem que não conseguia incentivar o aluno ou atrair a atenção dele na sala etc.
Não por acaso, é bem comum que todos tenham esse tipo de pensamento a respeito da escola convencional, e até mesmo pais e responsáveis tem a mesma indignação com o modelo de ensino predominantemente nas escolas.
Seja devido ao bullying que a criança ou adolescente sofre na escola, seja por não concordar com as matérias apresentadas e ensinadas aos alunos, seja pela impossibilidade de colocar próprio filho em uma escola, e outros motivos.
Diante de situações variadas como as que citei, a ação natural de pais e estudantes seria procurar alternativas da escola convencional. Achar uma escola que ensine coisas como por exemplo, ser autossuficiente, plantar vegetais e frutas, ou que os pais pudessem ter a possibilidade de dar uma educação mais flexível, incentivando os filhos a aprender aquilo que eles se interessarem, ou uma escola totalmente autogerida pelos pais, alunos e professores, em uma forma de cooperativa — caso como esse ja foi visto em uma universidade em Bolonha, para saber mais, veja esse link https://c4ss.org/content/37757 — .
Pois bem, alternativas à escola pública ou à escola particular deveria existir para suprir as necessidades de outras pessoas por modelos diferentes. Porém, como o “oasis" ainda está longe de nós, o que podemos fazer é apontar os possíveis motivos dos porquês ele estar tão longe, para assim chegarmos lá.
Ao que parece — e pode ser deduzido — ,enquanto temos um estado no qual não entende necessidades e problemas dos diferentes lugares do país e gerencia coisas de uma maneira “freestyle", vendo o que seria melhor para a educação no país, nós não vemos alternativas assim pois não há o espaço para tal.
Pelo que vejo, as escolas públicas e escolas particulares na maioria das vezes não tem quase nenhuma — ou nenhuma mesmo — mudança nas matérias que são ensinadas em uma ou outra. Disso dá para se deduzir algumas coisas: digamos que o espaço da educação seja totalmente livre, pais podem praticar o unschooling junto aos seus filhos, escolas — seja seguindo uma lógica de mercado ou não, ou seja, sendo particular ou não — propõem diferentes modelos de ensino com matérias diferentes e outras propostas..
O natural seria nós vermos cada vez mais exemplos alternativos nesse campo da educação, como um curso que faz o papel da antiga escola ao estudante. Porém, esse realmente não é o caso.
Com isso dito, podemos pensar que, se nas escolas públicas e particulares não se tem quase nenhuma mudança — ou seja, a escola particular ainda segue as matérias apresentadas em escolas públicas — , é muito provável que sobre o clássico gerenciamento do estado, que não confia que a organização orgânica do povo possa suprir necessidades dele de querer diferença no campo da educação, o estado cria leis que não permitam que as escolas ensinem conteúdos diferentes do que é considerado “essencial” pelo próprio estado, como por exemplo português ou química.
E eu não estou querendo dizer que essas matérias não possam ser importantes, elas podem sim servir de muita utilidade para nós, porém a questão que quero levantar é de que conteúdos assim serem obrigatórios para escolas que nem mesmo pertencem ao estado, e que se essas escolas não seguirem essa mesma lista, elas possivelmente serão chamadas de “ilegais" — coisa que ja acontece.
E embora se tenha exemplos no Brasil de escolas que não seguem os mesmos parâmetros, a maioria pode ser casos de escolas locais como escolas que foram erguidas por iniciativa de um bairro que estava com a necessidade de se ter uma escola, ou que de alguma forma conseguiu driblar essa legislação sem o estado perceber.
Além das “obrigações” das escolas de terem que seguir as atividades e conteúdos impostas pelo estado, é muito difícil de uma escola se manter nesse meio, pois, me arrisco a dizer, possa existir um monopólio da educação por parte de escolas particulares.
A falta de espaço e incentivo para criar essas alternativas não vêm somente do estado, ela pode vir também de escolas que consiga atrair a atenção dos pais em matricularem seus filhos nelas, pela mesma falta de espaço para existir escolas que consigam crescer para ter a mesma ou mais matrículas por conseguir competir com outras escolas por ter um modelo diferente.
Vou dar um exemplo: imagine que em uma cidade, tenha se criado uma escola que tenhas aulas diferenciadas com tecnologia que ajude e entrigue os alunos a estudarem para os conteúdos. Devido a existência de outras escolas particulares mais famosas, que podem ter escolas da mesma no brasil inteiro, em alguns meses a escola com modelo diferente iria ter que fechar.
Por esses motivos eu arrisco a dizer que possa existir o monopólio de escolas na educação, e isso reflete na realidade onde, como meu camarada andrei da página Emaísmo disse, embora as escolas particulares tenham os mesmos conteúdos, ela ensina as pessoas de classes mais altas a entrarem em faculdades públicas ou federais, enquanto os pobres terão que se individar para entrar nas faculdades particulares, que as vezes nem são tão prestigiadas quanto as públicas ou federais, mas para entrar no mercado de trabalho.
Com um espaço na educação em que seja descentralizado, ambos das classes iriam ter a mesma oportunidade para conseguir entrar no mercado de trabalho, e embora exista a possibilidade de por exemplo, empresas não aceitarem pessoas com “ensino informal" como eu e ele chamamos, as empresas teriam que se adaptar para ter de contratar as pessoas com ensino informal, pois muitas pessoas iriam praticar maneiras de ensino como a educação autodidata para a área em que ela irá trabalhar.
Eu antes usava o termo homeschooling para me referir a todas as práticas de ensino em casa, porém, o próprio movimento do homeschooling começou com famílias conservadoras que não concordavam com os valores ensinados na escola de seus filhos, e queriam ensinar da maneira deles, com valores morais religiosos por exemplo, e também, o termo do homeschooling se difere do unschooling pelo currículo que os dois apresentam.
O primeiro segue o currículo da escola convencional, com a diferença em que o ambiente é em grande parte em casa e os pais substituem o lugar do professor, já o unschooling sugere um currículo livre, onde os filhos aprendem aquilo que os interessar, e os pais dão os incentivos e recursos para seus filhos aprenderem.
Por esse motivo usei o termo “educação autodidata”, que foi um termo que criei para substituir o homeschooling. A criança ou adolescente ainda aprende em casa, mas aprende sozinha aquilo que ela se interessar ou que vai usar para entrar no mercado de trabalho.
Eu não tenho nada contra o homeschooling, se pais quiserem praticar como alternativa às escolas convencionais, eu não tenho problema com isso, seria um passo a caminho de uma sociedade libertária de fato, porém, eu não uso mais esse termo, além dele ter servido de mais uma carcaça aos “libertários" livre mercadistas que defendem as grande corporações, assim como fizeram com o termo libertário e o anarquismo.
Duas questões podem surgir a respeito do assunto de libertar a educação.
A primeira seria:
Mas se uma escola não segue a lógica de mercado como você mesme disse, como ela vai se sustentar? Uma escola precisa de recursos e investimentos para continuar funcionando"
Isso pode ser relativo, uma escola pode tanto usar estratégias derivadas do agorismo quanto de por exemplo ter como funcionar como uma cooperativa de ensino, como já citado o caso da universidade de bolonha.
Se em uma comunidade, um grupo de pessoas abrem uma escola, e elas precisem de livros ou material didático para as aulas, elas poderiam facilmente buscar conteúdos disponíveis na internet, existem sites que disponibilizam material para ensino de graça em que se pode baixar para ser usado. Além de estar cheio de PDFs de livros inteiros na internet prontos para serem baixados e imprimidos. Muitas escolas gerenciadas fora da lógica de mercado iriam gastar muito menos com material pedagógico só com o uso da pirataria (coisa que já é feita em escolas convencionais também). Sem contar que hoje pode se achar TVs smart a um preço até acessível para ser usado em uma sala de aula, e se quiserem usar de outras estratégias, livros do estado que não são usados podem ser roubados e apropriados para quem vai realmente usa-los.
Além disso, eles poderiam usar espaços que iriam fazer a educação mudar de algo centralizado e regrado para descentralizado e feito de forma totalmente espontânea.
Não poderia ser incomum ver a criação de “escolas nômades”, que é um nome apenas para se referir ao ensino que iria ser apresentado por outros. As crianças ou/e adolescentes poderiam usar espaços como praças, parques e outros lugares públicos para aprenderem, a sala de aula deles iriam ser lugares diferentes para cada matéria ensinada, usando como lugar “fixo", a casa de algum dos responsáveis pelo projeto ou outro — isso iria ser decidido por eles!.
E a segunda questão que surge poderia ser:
Como assim lógica de mercado? A educação é um direito, ela não deve ser mercadoria ou empresa, ela deve ser disponível para todos!”
Sim, e concordo plenamente no que diz a respeito de “deve ser disponível para todos”,por isso mesmo defendo que a educação seja algo descentralizado livre de qualquer restrição legislativa ou falta de espaço para inovações melhores.
Pois assim se teria várias oportunidades para pais e estudantes escolherem um modelo de ensino que mais os convenha.
E quando digo lógica de mercado, eu me refiro à competição das escolas por inovarem suas aulas e ensino para fazer com que mais pais queiram matricular os filhos em outras escolas.
Tudo iria depender por exemplo, de como o professor atrai a atenção dos alunos em sala de aula, como é ensinado os conteúdos, como eles usam a tecnologia para ajudar nas aulas etc.
Tudo isso iria servir como incentivo para as escolas melhorarem e quererem inovar cada vez mais para conseguirem ensinar mais alunos, se os pais não estiverem satisfeitos com o modelo de ensino de uma escola, eles poderiam optar por outra que funcione de um modo mais flexível que atenda as expectativas dos pais e alunos ou poderiam praticar o unschooling mesmo, se jutando com outros pais já praticantes e trocando dicas e materiais pedagógicos.
A disponibilidade cada vez maior de PDFs e materiais pedagógicos na internet iria tornar muito mais fácil para as escolas continuarem se mantendo em pé.
Deixar a educação livre, é uma grande etapa para deixarmos a sociedade livre também.

https://medium.com/@baldedecapacete/deixando-a-educa%C3%A7%C3%A3o-livre-6e2eb8f39626 (texto original meu)

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2019.12.10 17:46 throwawaysemnome Minha irmã quer se matar e se provavelmente eu tiver a mesma vida que ela teve vai dar merda pra mim também

essa vai ser a 43423423 e talvez a ultima throwaway q vou criar pra esse subreddit, e o post mais profundo e fudido meu

Eu xxF (não importa a idade agora pra não falarem merda) entrei de ferias semanas atras, eu nem pra lembrar eu consigo, i mean, desde quando eu tava tendo aula eu não queria entrar de férias, desde ano passado eu fui assim, mas esse ano eu realmente não queria, não queria mesmo. Eu, se eu dizer minha rotina, já ira ter pessoa já reconhecendo a historia que ja desabafei aqui, e não liguem pra esses ultimos desabafos, aqueles não importam, eram só surtos mal feitos, vamos láá, acordar ir pra escola blablabla ficar no computador de tarde e de noite, sabado ficar no computador quando eu estiver acordada, umas... 12 horas por dia? domingo mesma coisa? quero dizer, minha vida inteira foi assim, mas lembro que quando criança meu pai colocava só 5 horas por dia num coisa lá do windows 7 controle dos pais, e eu nem me lembro o que fazia quando isso acabava, eu lembro mais profundamente na infancia eu brincando com meu patinete em volta da casa, nao saia na rua nem nada, lembro mais profundamente eu indo pra rua pra brincar com umas menininhas da casa da frente, e meus pais me chamando pra ir de volta pra casa, porque NaO pOdIa. eu lembro de minha mãe mandando eu roubar a mochila das meninas da frente q ia ser jogado no lixo, na verdade, eu nem sei... a mochila só tava la na frente da casa, eu nem sei... foi tudo culpa da minha mãe... eu odeio esse passado e me sinto um lixo lembrando isso... eu nem era tão pobre assim, se mil reais por mes pra 4 pessoas era pouco... e minha intenção aqui nem era desabafar meu passado... eu me odeio agora
eu só quero pular pro presente agora, as pessoas tem que me reconhecer pelo presente, eu sou uma boa pessoa agora por fora, eu sou extrovertida quando meus amigos estão por perto, na escola, eu tive que conviver com um outro grupinho que nem me socializar eu conseguia direito pois de lá eu só conhecia meu uh, namorado? (eu queria só ficar com ele mas, quis namorar e agora nem me respondendo mais no messenger está, e eu nem conhecia faz 1 semana e ele ja me queria e eu aceitei por pressão e porque ele era uma boa pessoa numa escola cheio de gente que não presta, e olha lá que eu ja fiz um post aqui falando isso, de qualquer forma, namoro em geral é superestimado)

presente agora -
quando começou as férias eu fiquei só fazendo as mesmas merdas, a diferença é que eu agora acordava mais tarde, tava indo até tudo bem, ''aprendi'' a conviver com as férias DESPERDIÇANDO MINHA VIDA, QUE ESSE APRENDI TA MAIS PRA ME ILUDIR, um webamigo (tomara que ele realmente nao leia esse desabafo, ele pode facilmente se reconhecer aqui, ele usa reddit, se vc de alguma forma ler isso, esqueça) meses mais velho que eu falava que foi em festas com a familia academia etc etc eu comecei a ignorar ele, eu não gostava de ouvir aquilo, tipo, inveja? mas ao inves de raiva eu só queria chorar, e foi o que eu fiz, ele depois de muitas tentativas de oi veio logo me chamar em outra conta que eu era ativa, e eu nao tive escolha, eu fiz drama só mandando pontos e falando que ele me deixava triste, igual um adolescente que quer atenção, mas n entendeu e eu só quis deixar isso de lado, e falar de outros assuntos, eu so chorei quando eu fiquei falando que tal coisa deixava triste, eu nao posso chorar porque meu quarto é publico, qualquer um pode ir aqui quando quiser porque o guarda roupa que tem aqui é de todos. então ja veio minha mae se preocupando, e como esperado, ela já veio falando : ''O cOmPuTaDoR eStRaGoU?''

parece bobo, mas aquilo me ferrou ainda mais, pode ser qualquer coisa que posso estar, mas, alguem pensar que eu estar chorando por causa do notebook estragar, me faz pensar que minha vida inteira ta sendo mesmo ficar na frente de uma tela apertando botoes. É isso, só ter uma vida e essa vida ser só isso.
De repente eu percebi minha mãe me mimando dando comida, um tipo lá de chocotone e fez pipoca, que bom mimar um sedentário com coisas nada saudaveis, ja sentia dor no peito mesmo dias atrás (mais uma referencia a outro desabafo)
ok, isso tudo foi ontem, dormi, acordei e fui dormir no quarto da minha mãe porque minha irmã tava se mexendo na cama e isso me deixava desconfortavel
agora que vem a merda
hoje acordei de novo com minha mãe e irmã falando alto sobre como o namorado dela quis um tempo ou algo do tipo, tava uma discussão normal, ela falando como ela tem raiva de tudo e se odeia, mãe perguntando o porque da cara dela estar vermelha em certos momentos etc etc
me deu vontade de chorar de novo por ela estar se preocupando com namorado sendo que ela tem emprego e vai pra onde quiser, enquanto minha vida literalmente depende dos meus pais (minha irmã é 21F e esqueci de falar que também minha infancia do 1 á 5 série foi chorar todos os dias na sala enquanto minha turma inteira, inclusive a professora do 1 e 2 ano, fazer bullying comigo, a minha nova escola do fundamental 2 quase ninguem me conhecia entao ninguem mais fazia bullying comigo, mesmo as 2 escolas sendo bem pertas, mesmo assim, eu nao sei o que eu tenho pra ser tao sensivel assim, mas agora tem motivo ainda).
Então, com um pai que trabalha e fica a noite inteira jogando, uma mãe que cuida da casa e vai assistir televisão quando não tem nada pra fazer, o que eu vou virar? huh? comecei a chorar no travesseiro
depois de tanto blablabla que discutiram, minha irmã começou a chorar, falando de novo que se odeia, que toda a raiva dela é biológica, de dentro da cabeça, que não produz mais felicidade, eu realmente nao me lembro muito por isso to falando tao vagamente.
e agora uma coisa inesperada pois sempre achei que minha mae entende que depressão não é frescura, que se preocupou comigo pensando que eu teria um dia, minha mae começou a falar merda
ela começou a falar com raiva que pelo menos minha irmã tem saúde e que isso que importa, começou a comparar minha irmã com minha prima que sei lá o que engravidou perdeu namorado e mesmo assim seguiu com a vida, que tem que ter força de vontade
mas acho que nem tudo que ela falou foi merda, eu não sei diferenciar desculpa, mas cada pessoa tem sua vida, não precisa ficar se comparando com pessoa com vida pior, isso não vai adiantar nada, minha mãe começou a falar que viu a vida inteira a mãe dela apanhar, falando como se fosse normal.
agora minha mãe vai falar com meu pai, minha mãe falou que meu cunhado terminou o namoro com minha irmã q queria ficar sozinho, que ele era bomzinho de boas com a vida e minha irmã um tanque de guerra, que computador da depressão (finalmente percebeu isso, minha irmã trancada em casa, não tipo, realmente computador, também celular, porque não tinha nada pra fazer alem disso antes de conseguir emprego e namorado), e quando minha mãe falou que minha irmã queria se matar meu pai falou : ''AhHhHh Vai coMeÇaR cOm O DrAmA'' ''FiQueI dESDe PeQUEnO TrABaLhANDO'' e pelo menos começaram a falar de psicologo, meu pai falando sobre espiritismo falando que quando se matar n vai pro paraiso e sim vai ser uma alma penada bla bla bla (ai ai gente ''religiosa'' ou algo do tipo é foda)

mãe : ''se tem que conversar com ela''
pai : ''N VOU (?? n sei mais q ele falou ele tava com a boca cheio de comida)
mãe falou mais algo que nao escutei porque meu barulho de teclado n deixou escutar
meu pai começou a falar que minha irmã foi criado tudo na mordomia e que a vida é sofrer
sinceramente, MEU PAI SÓ FALA MERDA, primeiramente, não é porque os pais teve a vida ruim que o filho vai ter também, na verdade nem sei como foi a vida dele antigamente, mas acha, acha que isso vai ser um loop infinito? um bom pai é assim? desejar a mesma coisa que ele passou pro filho? assim o filho desejar pro filho a mesma coisa? e assim vai indo? eles não abriram a mente pra ver como é tudo hoje em dia, eles ferram com a mente de uma pessoa deixando trancado em casa e chamando de vagabunda, pra depois falar que foi tudo na mordomia? sinceramente, devem gostar de sofrer, ou melhor, ja acostumaram sofrer, não é tipo, sofrer mesmo, mas parece que falar : ''todos vamos morrer um dia'' vai abrir a mente deles pra dizer que a vida não é só trabalhar e ficar preso em casa, i mean, mesmo minha irmã ja tendo 21 anos e precisando trabalhar, acha que ela fez algo de bom antes? que se divertiu na unica epoca da vida de se divertir? não, FICAR EM CASA NÃO É VIVER, desculpa se alguem acha que isso é frescura MAS EU TO PERDENDO A CABEÇA COM ISSO, a menina mesmo livre agora, teve um passado desperdiçado, ela falava que aguentou 20 anos por isso, imagina 20 anos desperdiçado, e eu, 13, parabens descobriram minha idade, 13 anos sentada e indo pra escola, irra.
na minha sincera opinião sobre o namoro dela, ela amava mais o namorado do que eu, e isso era o certo, o namorado dela dava presentes toda hora, a estante do nosso quarto é quase tudo presente dele ou da mãe dele, o namorado dela iluminou a vida dela, e então ela gastava o dinheiro do emprego dela tambem dando presentes pra ele, agora tinha chegado um teclado que ela iria dar pra ele, mas como ele terminou o namoro, ou deu um tempo sei lá, nem sei o que vai acontecer, o teclado tinha custado uns 200 reais, eu pensei que ela iria comprar pra mim e eu fiquei com raiva, quem gastaria 200 reais num teclado? mas era pro namorado dela, isso foi mais entendivel, depois de tanto mimo que ele deu pra ela, ela tem que retribuir, ela até perguntou pra mim o que eu queria de natal, já que meus pais tão pouco se fudendo pra mim, mas era no maximo 100 e eu queria algo de uns 200 (era uma mesa digitalizadora, eu queria uma pra eu continuar desenhando pois desenhar no mouse é impossivel, quem é artista sabe, eu desenho faz 5 anos e eu perdi totalmente o animo de desenhar, pois ate pessoas que nem sabem desenhar ja compram uma e isso é uma grande injustiça, e eu poderia fazer comissions até pra ganhar dinheiro com isso, mas nãoo, se eu tivesse uma mesa digitalizadora eu iria ganhar muito animo pra fazer isso) ser pobre é foda, nao quis nada mesmo.
o namorado dela era de boas com a vida porque deve ser classe media, tudo de boas, bla bla bla, casa boa, ja minha irma tem uma vida merda, agora, se vê o triangulo que isso fez?

irmã com vida merda > irmã acha namorado e emprego > irmã perde namorado por causa da vida merda q era o passado que não traz mais nenhuma felicidade pra ela hoje em dia, pois fica com raiva e nem sei da historia direito e o que ela fez pro namorado.

nossos pais tao fudendo com nossa vida, se for frescura, é só nós que somos sensiveis assim, é normal ficar com uma vida assim? não sabia.

vontade de ela voltar com o namoro e eu ser o filho deles, sinceramente.

morar numa casa que todos dão risada e pais que querem ver todos sofrerem é... torturante, se eu ficar aqui, vou ficar literalmente chorando as férias inteiras
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2019.10.20 03:38 alborn0z Um desabafo comum, mas que incomoda o coração

Olá, boa noite à todos.
O que vou falar aqui com toda a certeza é algo que acontece com várias pessoas todos os dias e é algo que não aos pés dos desabafos daqui, mas é uma coisa que me incomoda muito e com o passar dos anos tem se tornado cada vez maior...
Eu tenho 22 anos de idade, nunca fui uma pessoa de ter muitos amigos, colegas e pessoas com quem conversar. Pra falar a verdade desde criança eu tive uma mentalidade diferente da pessoas da minha idade (basicamente elas queriam brincar e fazer algazarra, o que é totalmente compreensível nessa idade, e eu já me preocupava em estudar e prestar atenção no professor) o que me fez ser colocado no escanteio e não conseguir amizades na infância.
Apesar disso, eu não me sentia mal por ser assim e pela situação e nem me zoavam por isso (pelo menos eu não percebia). Eu achava que estava certo e que os outros estavam errados. Mas depois que eu me tornei adolescente e me apaixonei pela primeira vez com 11 pra 12 anos de idade e tomei um fora as coisas mudaram. Passei a ser zoado, achincalhado, desrespeitado e me tornei uma pessoa tímida. Perdi a capacidade de comunicação que eu tinha, passei a me atrapalhar falando e perdi a confiança em mim. Quando completei 15 anos, cheguei ao fundo do poço desenvolvendo um problema de pele, ansiedade, estresse e auto-estima baixa. Fui obrigado a começar uma terapia comportamental e foi bom pra mim isso. Comecei a melhorar, conquistei algumas coisas, conheci pessoas e hoje eu estou perto de concluir meu curso de jornalismo. Mas apesar de tudo isso ainda falta uma coisa: Eu ainda não consegui conquistar uma garota.
Infelizmente ainda sou bv com 22 anos e está dificil de resolver isso mesmo fazendo de tudo. Não tem um dia que eu não pense um monte que seja sobre essa situação. Eu simplemente dou uma pane mental quando eu me interesso por alguém. A mente trava, eu fico nervoso, fico com medo de falar ou fazer bosta e por isso quase não chego em ninguém. Pra resumir em números, eu acho que só consegui sair realmente com uma garota em toda minha vida. E o pior é que eu faço a minha parte. Tomo banho regularmente, faço a barba, o cabelo, me visto de forma adequada e tento me interar sobre tudo o que está acontecendo à minha volta. Não acho que a culpa de eu não conseguir nada seja das mulheres, mas minha só que eu não sei onde eu estou errando.
Pra concluir, eu sei que este texto deve ter ficado confuso e com um monte de digressões e etc, mas o que eu quero que vocês entendam é que o que eu quero é ser feliz, virar essa página obscura de vez do meu passado e olhar pra frente. E só falta isso. Eu quero chegar ao ponto em que a escolha de tentar ficar ou não com uma garota seja minha e não motivada pelo meu medo. Eu só quero que as coisas mudem...
Bom obrigado à você que leu até aqui e por favor, responda alguma coisa, mesmo que seja pra me esculachar (só peço que argumente do porquê por favor rs), vou ficar feliz.
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